Páscoa coloca à prova novo controlo de fronteiras no Aeroporto de Lisboa: o que está em causa?

Relatos recentes de passageiros — com esperas que chegaram às quatro horas — voltaram a expor fragilidades no controlo de entradas de viajantes fora do espaço Schengen

Executive Digest

O Aeroporto Humberto Delgado entra neste fim de semana prolongado da Páscoa sob pressão máxima: o novo sistema de controlo de fronteiras, que esteve suspenso após episódios de caos no final de 2025, enfrenta agora o seu primeiro grande teste antes da época alta do verão.

Relatos recentes de passageiros — com esperas que chegaram às quatro horas — voltaram a expor fragilidades no controlo de entradas de viajantes fora do espaço Schengen. Vídeos nas redes sociais mostram filas extensas e zonas de espera completamente saturadas, numa altura em que o fluxo ainda estava longe dos níveis típicos da Páscoa.

Plano de contingência tenta evitar novo caos

Perante este cenário, indicou o ‘Diário de Notícias’, o Ministério da Administração Interna garante que já está em marcha um plano de contingência para evitar constrangimentos. Entre as medidas estão o reforço de meios humanos — com mais 30 agentes no aeroporto de Lisboa e 15 em Faro —, aumento de postos de controlo e maior coordenação entre entidades.

As autoridades reconhecem que os períodos de maior afluência, como a Páscoa, exigem uma gestão particularmente rigorosa, sobretudo num país onde Lisboa e Faro concentram cerca de 80% do tráfego internacional.

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Ainda assim, justificam que os atrasos recentes foram “pontuais” e resultaram de picos concentrados de passageiros extracomunitários em curtos períodos de tempo.

Sistema ainda não está totalmente operacional

Apesar da retoma gradual desde janeiro, o Sistema de Entrada/Saída (EES) — a nova plataforma europeia baseada em dados biométricos — só estará plenamente operacional a 10 de abril.

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Até lá, o funcionamento é parcial e apoiado por soluções intermédias, como quiosques self-service que permitem recolher dados biométricos e acelerar o processo de controlo.

Também foi lançada a aplicação “Travel to Europe”, que permite aos passageiros preencher previamente os dados de entrada e gerar um código QR para utilização à chegada. A adesão não é obrigatória, mas é recomendada pelas autoridades como forma de reduzir tempos de espera.

Problema estrutural mantém-se

Apesar das medidas, sindicatos e especialistas alertam que o problema vai além de reforços pontuais. A infraestrutura do aeroporto continua a ser apontada como insuficiente para responder ao crescimento do tráfego internacional, sobretudo de passageiros fora da União Europeia.

“O sistema, tal como está montado, não funciona”, critica Rui Paiva, do Sindicato do Pessoal de Investigação Criminal, apontando falhas na organização e na adaptação após o fim do SEF.

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Também Bruno Pereira, do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, sublinha que a capacidade física da fronteira não acompanhou o aumento do número de passageiros. “Podíamos ter mais polícias, mas não há postos suficientes para os colocar”, refere, defendendo a necessidade de obras estruturais.

Um teste antes do verão

O contexto torna este período particularmente sensível. A Páscoa surge como ensaio geral para os meses de verão, quando o volume de turistas deverá aumentar significativamente.

Depois de um inverno marcado por episódios de filas de até oito horas — que levaram à suspensão do sistema em dezembro —, as autoridades procuram agora demonstrar que os problemas estão controlados.

A dúvida permanece: será suficiente para evitar um novo colapso num dos principais pontos de entrada em Portugal?

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