O relatório de Sue Gray sobre o escândalo do Partygate foi publicado esta quarta-feira e não é ‘simpático’ para o gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. O inquérito interno às alegadas “festas” em edifícios governamentais no Reino Unido, incluindo a residência do primeiro-ministro, exorta os funcionários e políticos a assumirem a responsabilidade por terem permitido a realização de “festas” que violaram restrições durante a pandemia da Covid-19.
“Os eventos que investiguei foram presenciados por líderes do Governo. Muitos desses eventos não deveriam ter acontecido”, lê-se nas conclusões de Sue Gray. “A liderança sénior deve assumir a responsabilidade por essa cultura. É também o caso de alguns dos funcionários mais juniores que acreditaram que o seu envolvimento em alguns desses eventos era permitido devido à presença de líderes seniores. A alta liderança do centro, tanto política quanto oficial, deve assumir a responsabilidade por essa cultura.”
Para Sue Gray, o escândalo do Partygate demonstrou “uma falha grave” em cumprir os “padrões esperados de toda a população britânica” durante a pandemia da Covid-19.
A palavra “vinho” é mencionada 20 vezes no relatório Sue Gray, enquanto “cerveja” é mencionada quatro vezes – já “álcool” surge em 28 ocasiões.
O primeiro-ministro, Boris Johnson, deverá fazer uma declaração no Parlamento sobre o relatório às 12:30 locais (mesma hora em Lisboa), depois do debate semanal com os deputados, seguida por uma conferência de imprensa às 15:30 e por um encontro com deputados do Partido Conservador ao final da tarde.
O chamado ‘partygate’ ensombra o primeiro-ministro britânico há meses, devido às alegações de que Boris Johnson e assessores participaram em “festas” ilegais enquanto milhões de pessoas no país cumpriam as restrições rígidas para tentar evitar a propagação da covid-19 em 2020 e 2021.
A publicação do documento completo, quase seis meses após ter sido pedido, foi atrasada devido à investigação policial ao escândalo pela polícia britânica, que resultou em 126 multas a 83 pessoas.
O primeiro-ministro, a esposa, Carrie, e o ministro das Finanças, Rishi Sunak, foram punidos por terem participado numa festa de aniversário surpresa a Boris Johnson em junho de 2020, fazendo do líder conservador o primeiro chefe de Governo britânico culpado por desrespeitar a lei em funções.
O inquérito interno do executivo foi entregue à funcionária pública superior Sue Gray, com responsabilidades relacionadas com a ética, por ter reputação de ser “íntegra e honrada” e de ter conduzido “investigações anteriores com rigor e vigor”, justificaram vários ministros.
O relatório abrangeu 16 “ajuntamentos” de assessores e membros do executivo em 2020 e 2021 em edifícios governamentais, a maioria em Downing Street, local da residência oficial e gabinete do primeiro-ministro.
Uma versão preliminar, publicada em janeiro, já tinha identificado “falhas graves (…) no coração do Governo” e comportamentos “difíceis de justificar”, apontando a “falhas de liderança e discernimento”, incluindo no gabinete do primeiro-ministro.
O chamado “partygate” causou uma onda de indignação junto de muitas pessoas que, devido às restrições em vigor, foram impossibilitadas de acompanhar familiares e próximos que morreram ou que estavam doentes ou sozinhos.
Johnson pediu desculpa, mas resistiu aos pedidos de demissão da oposição, alegando que não o fez conscientemente.
Para forçar a demissão é preciso que 54 deputados apresentem “cartas de desconfiança” no primeiro-ministro para desencadear uma moção de censura, sendo depois necessários 181 votos a favor para originar eleições internas no Partido.
Nos últimos dias a pressão voltou a aumentar devido à publicação de fotografias pela estação ITV News com Boris Johnson a beber álcool junto a uma mesa com várias garrafas na despedida de um assessor em novembro de 2020, quando o Reino Unido estava sob confinamento.
Quando foi questionado anteriormente na Câmara dos Comuns sobre se tinha existido uma festa em Downing Street no dia 13 de novembro de 2020, Johnson respondeu: “Não, as orientações foram seguidas e as regras foram respeitadas o tempo inteiro”.
Na altura, Inglaterra estava sob restrições que só deixavam as pessoas sair para frequentar comprar comida, ir ao médico ou à escola, trabalhar ou fazer exercício, limitando encontros a membros da mesma família, e as lojas não essenciais estavam fechadas.
A BBC também noticiou esta semana relatos de funcionários sobre eventos com dezenas de pessoas em salas cheias e o consumo regular de bebidas alcoólicas.
Boris Johnson tem beneficiado em parte de as atenções se terem desviado para a invasão da Ucrânia pela Rússia e para a crise do aumento do custo de vida, mas as sondagens mostram uma queda na popularidade e as eleições locais de maio resultaram na perda de centenas de vereadores.
Pela frente, Johnson tem ainda um inquérito parlamentar para determinar se mentiu aos deputados quando negou qualquer irregularidade, ofensa que o código de conduta dos ministros determina que resulte em demissão.
O Partido Trabalhista e os Liberais Democratas consideram “não haver dúvida” de que Johnson mentiu quando disse que desconhecia quaisquer ajuntamentos ilegais, e reiteraram esta semana o pedido de demissão.
As conclusões do relatório já levaram a diversas reações na internet.
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— ZANE SMITH (@zanesmith2000) May 25, 2022
While the law-makers at #DowningStreet were partying EVERY fckin week, THIS is what our kids had to do at nursery#partyGate pic.twitter.com/elxFxs4bDv
— Maggie Aitch (@FreeBesieged) May 25, 2022
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Continue a ler após a publicidade— Angela Rayner 🌹 (@AngelaRayner) May 25, 2022
"Here's to lies, corruption, greed and entitlement!"#partygate#PartygateCoverup pic.twitter.com/mdTTiLRznP
— Parody Boris (@Parody_PM) May 23, 2022













