Partidos preveem gastar mais de 6,6 milhões de euros na campanha para as legislativas

Este valor representa uma redução significativa face aos 10,7 milhões de euros gastos nas legislativas de 2024, revelando uma clara tendência para contenção de custos nesta nova disputa eleitoral.

Revista de Imprensa
Abril 8, 2025
12:03

A menos de um mês do arranque oficial da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 18 de maio, os partidos com assento parlamentar já apresentaram os respetivos orçamentos, que apontam para uma despesa global superior a 6,6 milhões de euros. Este valor representa uma redução significativa face aos 10,7 milhões de euros gastos nas legislativas de 2024, revelando uma clara tendência para contenção de custos nesta nova disputa eleitoral.

Segundo apurou o Jornal de Notícias, entre os partidos que já submeteram os orçamentos à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, o PSD e o PS lideram os investimentos, sendo responsáveis por quase cinco milhões de euros do total previsto. Em contraste, os partidos PAN e Livre apresentam os orçamentos mais modestos, limitando-se aos 150 mil euros cada.



PSD/CDS e PS concentram quase todo o investimento
A coligação PSD/CDS encabeça a lista dos partidos com maiores gastos, com um orçamento de 2,5 milhões de euros, inferior aos 3,51 milhões despendidos em 2024. A maior fatia desta verba provém da subvenção estatal, num montante de 2,2 milhões de euros, sendo os restantes 300 mil euros suportados por fundos próprios dos partidos.

Entre as principais rubricas da coligação liderada por Luís Montenegro, destacam-se 500 mil euros para comícios e espetáculos, outros 500 mil euros destinados a custos administrativos e operacionais, 250 mil euros para ações de propaganda (tanto impressa como digital), 200 mil euros para conceção da campanha, contratação de agências de comunicação e estudos de mercado, e 80 mil euros para brindes.

Do lado do PS, liderado por Pedro Nuno Santos, o orçamento apresentado cifra-se nos 2,2 milhões de euros, uma queda acentuada face aos 3,5 milhões investidos na última campanha. Neste valor está incluída exclusivamente a subvenção estatal atribuída ao partido. As maiores despesas concentram-se em comícios e espetáculos (650 mil euros) e na conceção da campanha, comunicação e estudos de mercado (600 mil euros). O PS prevê ainda gastar 420 mil euros em propaganda e comunicação impressa e digital, 300 mil euros em estruturas, cartazes e telas, 180 mil euros em brindes e 100 mil euros em custos administrativos.

Liberais apostam numa campanha “mais curta”
A Iniciativa Liberal (IL) apresentou um orçamento de 575 mil euros, também ele financiado sobretudo por subvenção pública. Em resposta ao JN, o partido de Rui Rocha afirmou que esta será “uma campanha mais curta”, com um orçamento ajustado ao objetivo de “garantir que a mensagem e as propostas liberais chegam a todos os portugueses”.

Esquerda apresenta orçamentos mais comedidos
Na esquerda parlamentar, os orçamentos também revelam contenção. A CDU (coligação entre PCP e PEV) planeia gastar 595 mil euros, menos 61,4 mil euros do que na campanha anterior. Destes, 441 mil euros correspondem à subvenção estatal, sendo o restante assegurado por 144 mil euros de contribuições dos dois partidos e 10 mil euros provenientes de angariação de fundos.

O plano orçamental da CDU inclui 275 mil euros para custos administrativos e operacionais, 134 mil euros para propaganda e comunicação (impressa e digital), 106 mil euros para estruturas e cartazes, 60 mil euros para comícios e caravanas, e 20 mil euros para outras despesas.

Já o Bloco de Esquerda pretende ir além da subvenção estatal de 386,4 mil euros, juntando 68 mil euros de fundos próprios e cinco mil euros resultantes de angariação de fundos, num total de cerca de 459 mil euros. As principais despesas do partido de Mariana Mortágua estão direcionadas para custos administrativos (164,6 mil euros), comícios (109,2 mil euros) e estruturas e cartazes (104,4 mil euros).

Livre e PAN com orçamentos de 150 mil euros
Entre os partidos com orçamentos mais reduzidos estão o Livre e o PAN, ambos com um teto de 150 mil euros, valor correspondente à subvenção estatal. No caso do Livre, que em 2024 conseguiu eleger quatro deputados, o investimento total é ligeiramente inferior ao da campanha anterior (151,2 mil euros). As despesas estão distribuídas entre 55 mil euros para estruturas e cartazes, 35 mil euros para comícios e 20 mil euros para propaganda e comunicação.

O PAN, por sua vez, confirmou ao JN que pretende gastar os mesmos 150 mil euros, mas não detalhou a afetação das verbas pelas várias rubricas.

Chega não apresentou orçamento
O Jornal de Notícias tentou obter informações sobre o orçamento de campanha do Chega, mas o partido não respondeu em tempo útil. O prazo para a entrega das candidaturas e dos orçamentos de campanha terminou ontem, ficando agora a aguardar a validação e fiscalização por parte da entidade competente.

Com os dados agora conhecidos, confirma-se uma redução significativa na despesa global de campanha, sinal de prudência orçamental num cenário político ainda marcado por incertezas e uma crescente exigência por parte do eleitorado em relação à transparência no uso de dinheiros públicos.

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