A poluição dos oceanos está a atingir níveis cada vez mais preocupantes — e não apenas à superfície. No fundo do mar, acumulam-se resíduos pesados e de difícil remoção que ameaçam os ecossistemas marinhos. Agora, a União Europeia aposta numa solução tecnológica inovadora para enfrentar este desafio, avança o ‘El Economista’.
O problema não é novo, mas a sua dimensão tem crescido com a atividade industrial e comercial. Muitos dos resíduos que acabam no oceano — desde sucata metálica a equipamentos industriais — permanecem durante anos no fundo do mar, degradando-se lentamente e afetando a fauna e a flora de forma potencialmente irreversível.
A remoção destes materiais tem sido, até agora, um dos maiores obstáculos. O peso dos resíduos, a dificuldade de acesso às zonas mais profundas e a necessidade de evitar perturbações na biodiversidade tornam estas operações complexas, dispendiosas e tecnicamente exigentes.
É neste contexto que surge o projeto SeaClear 2.0, uma iniciativa europeia que pretende automatizar a limpeza subaquática através de uma equipa coordenada de drones e robôs.
O sistema combina veículos aéreos não tripulados, que sobrevoam as áreas afetadas para identificar concentrações de lixo, com embarcações autónomas guiadas por satélite. A partir destas plataformas, são lançados robôs subaquáticos que descem até ao fundo do mar para realizar a operação de limpeza.
Equipados com câmaras, sensores acústicos e luzes de alta intensidade, estes robôs conseguem navegar em ambientes de visibilidade reduzida. Quando localizam resíduos, utilizam garras mecânicas para os recolher e transportá-los até à superfície, onde são armazenados em contentores.
Mais adiante, o ‘El Economista’ destaca que, apesar de ainda se tratar de um projeto piloto, os resultados são promissores. Os robôs já demonstraram capacidade para levantar objetos com até 250 quilos, independentemente da sua forma ou material — desde eletrodomésticos a componentes de navios afundados.
O objetivo é tornar este sistema totalmente operacional antes de 2030, numa altura em que a pressão para proteger os oceanos é cada vez maior.
Se for bem-sucedida, esta tecnologia poderá marcar um ponto de viragem na forma como o lixo marinho é tratado — e ajudar a recuperar uma parte invisível, mas crucial, do planeta.






