Testes recentes conduzidos pela ADAC (Allgemeiner Deutscher Automobil-Club) revelaram um paradoxo preocupante: uma colisão frontal a 35 km/h pode provocar ferimentos mais graves nos ocupantes dianteiros do que um impacto a 50 km/h. O fenómeno evidencia limitações nos sistemas de segurança automóvel, desenvolvidos principalmente para cumprir protocolos de teste, nem sempre refletindo as situações mais comuns no trânsito urbano.
Durante décadas, os testes de segurança basearam-se em colisões frontais a 50 km/h, estabelecendo o padrão para classificações do Euro NCAP. Consequentemente, os fabricantes ajustaram estruturas e sistemas de retenção para obter o melhor desempenho nestas condições específicas. Contudo, a realidade é diversa: muitas colisões urbanas ocorrem a velocidades inferiores, expondo uma vulnerabilidade até agora pouco considerada.
Sistemas de retenção e limitações a baixa velocidade
O paradoxo explica-se por fatores técnicos. Limitadores de carga e pré-tensionadores dos cintos de segurança são calibrados para velocidades mais elevadas. A 50 km/h, estes sistemas ativam-se, libertando parte da fita do cinto e reduzindo a carga sobre o tórax. A 35 km/h, no entanto, podem não funcionar, resultando numa paragem mais abrupta do corpo e maior compressão torácica.
Testes realizados com um modelo urbano recente, o MG3, confirmaram que o tronco dos ocupantes da frente sofre mais stress numa colisão a 35 km/h do que a 50 km/h, apesar da energia de impacto ser inferior. Esta situação afeta especialmente pessoas idosas, que circulam frequentemente em trajetos curtos e em baixa velocidade.
Euro NCAP adapta protocolos em 2026
O Euro NCAP irá incluir a partir de 2026 o teste de impacto frontal a 35 km/h no seu protocolo, exigindo que os fabricantes desenvolvam sistemas de retenção eficazes numa faixa mais ampla de velocidades e adaptáveis a diferentes perfis de ocupantes. A organização europeia também vai reforçar outros critérios, incluindo diversidade de bonecos de teste, testes realistas de assistência ao condutor e funcionalidade das maçanetas elétricas após acidentes.
Estas mudanças respondem a críticas de que a segurança automóvel se tornou excessivamente orientada para testes, em detrimento de cenários reais comuns no dia a dia. Os ajustes previstos prometem alinhar melhor a proteção com as condições reais de condução.




