Depois da assinatura do Acordo de Paris, alcançado em 2015, os grandes bancos passaram os três anos seguintes a investir 1,9 biliões de dólares em empresas de combustíveis fósseis, de acordo com a “Fast Company”.
Já a Aspiration Partners, uma instituição financeira online com sede na Califórnia, disponibiliza depósitos «livres de combustíveis fósseis», tendo-se posicionado como anti-Wells Fargo, na sequência da divulgação de um esquema de contas falsas que eram abertas, por parte dos funcionários da instituição, sem o consentimento dos clientes.
As diferenças deste banco, segundo a revista de tecnologia, começam com uma opção que permite aos clientes definirem as próprias taxas a pagar nas suas contas bancárias ou de investimento. «No cerne do modelo de negócios da maioria das instituições financeiras está o facto de estas estarem melhor quando os seus clientes estão pior», constata o fundador e CEO da Aspiration, Andrei Cherny, que ajudou a senadora Elizabeth Warren, candidata às primárias do Partido Democrata para a presidência norte-americana, a criar uma agência de proteção financeira ao consumidor.
Desde que o banco foi fundado em 2015, conta com mais de 1,5 milhões de clientes, alguns dos quais atraídos pelo facto de a empresa ser selectiva na forma como investe os depósitos. «Vivemos numa época em que cada vez mais pessoas estão cientes da sua própria responsabilidade para com o planeta», afirma, sublinhando que «essas grandes instituições financeiras são muitas vezes parte do problema e não a solução». «Quando os clientes depositam dinheiro na maioria destes bancos, esses depósitos estão a ser usados para financiar oleodutos e gasodutos que estão a matar o planeta, bem como fabricantes de armas, cujos produtos matam pessoas inocentes», acusa.
Porém, segundo a “Fast Company”, o Aspiration coloca os depósitos dos clientes a render numa lista de empresas com práticas sustentáveis e incentiva os clientes a apoiarem estes negócios. O cartão de débito do banco, por exemplo, oferece recompensas por cada compra feita em negócios com um maior impacto social e os titulares das contas recebem uma pontuação, que acompanha a forma como os seus gastos estão a afectar as pessoas e o planeta. «Trata-se, em parte, de contribuir para a voz das empresas cujo resultado final não é apenas o lucro, mas também as pessoas e o planeta», diz Cherny.
Para o CEO da Aspiration, o sector financeiro precisa de mais regulação. «O maior desafio que o sector enfrenta é o facto de o povo americano não confiar em nós, com boas razões. A indústria financeira deveria estar a tentar trabalhar para reconstruir a confiança, ao invés de lutar contra essas coisas. Acredito que o Governo pode ter um impacto positivo.» E parte do que fazem é justamente para «mostrar ao mundo que é possível administrar uma instituição financeira focada em servir os seus clientes e ao serviço de um mundo melhor de uma forma sustentável – não apenas de uma perspectiva ambiental, mas também económica».




