Papa Leão XIV retoma tradição e vai passar férias em luxuoso castelo de dois mil milhões de euros

A decisão contrasta fortemente com a postura do seu antecessor, Francisco, que renunciou à utilização da villa e transformou o palácio apostólico num museu aberto ao público.

Pedro Gonçalves
Junho 27, 2025
13:08

Após anos de austeridade no Vaticano, o Papa Leão XIV marca uma viragem simbólica ao anunciar que passará parte do seu verão na histórica residência de Castel Gandolfo, às margens do Lago Albano. A decisão contrasta fortemente com a postura do seu antecessor, Francisco, que renunciou à utilização da villa e transformou o palácio apostólico num museu aberto ao público.

A estadia do novo sumo-pontífice está marcada para o período entre v6 e 20 de julho, com uma segunda visita já prevista ara os dias 15 a 17 de agosto. Durante esse tempo, o Papa Leão XIV não irá residir no palácio principal (que continuará aberto como espaço museológico), mas sim na menos conhecida, embora igualmente simbólica, Villa Berberini, um edifício monumental repleto de significado e privacidade.

Durante a sua estadia, as habituais audiências públicas habituais das quartas-feiras serão suspensas, regressando à normalidade a 30 de julho, mas estão previstos vários movimentos de contacto do líder da Igreja Católica com a comunidade local. A 13 de julho, o Papa irá celebrar missa na paróquia pontifícia de Santo Tomás de Villanueva e, a 20 de julho, presidirá a outra celebração na catedral de Albano. A agenda contempla momentos de oração, descanso e convivência com os habitantes da vila, que não acolhiam a presença do sucessor de Pedro há mais de uma década.

Castel Gandolfo volta a ser o centro do verão vaticano
O enclave pontifício de Castel Gandolfo, com os seus 550 mil metros quadrados de jardins e vistas sobre o Lago Albano, foi residência estival de numerosos papas ao longo dos séculos — de Pio XI a Bento XVI. Com a chegada de Leão XIV, reacende-se a ligação com a comunidade local. O presidente da câmara de Castel Gandolfo, Alberto De Angelis, celebrou o anúncio: “A presença do Papa é parte do nosso ADN”, afirmou, garantindo que “Leão XIV devolverá à cidade a sua relação cotidiana com o Papa: o Angelus, as visitas, o contacto com o povo”.

A Villa Barberini, escolhida para acolher o Papa, oferece não só uma estrutura de elevada segurança como também espaços privados, de estudo e lazer, incluindo a piscina outrora utilizada por João Paulo II. A escolha sublinha a intenção de conciliar descanso com trabalho pastoral e espiritual, preservando a ligação visual com a população e facilitando eventos públicos.

A decisão de Leão XIV de regressar à villa — cujo valor patrimonial ronda os dois mil milhões de euros, segundo estimativas recentes — não deixa de marcar uma inversão de estilo face ao pontificado anterior. Francisco, ao transformar o espaço em museu e rejeitar os seus luxos, sinalizou um compromisso com a simplicidade. Já Leão XIV, sem abandonar os princípios da sobriedade, procura restaurar o prestígio e simbolismo de um local que, para muitos fiéis, representa um elo profundo com a história viva da Igreja.

Para os habitantes de Castel Gandolfo, o regresso do Papa traz esperança, movimento e significado. Para o Vaticano, é mais um sinal de que Leão XIV pretende traçar o seu próprio rumo — em continuidade com a tradição, mas com a sua marca distintiva.

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