O Papa Leão XIV prepara-se para marcar esta Sexta-feira Santa com um gesto inédito na história recente da Igreja Católica: será o primeiro pontífice a carregar a cruz ao longo de todo o percurso da Via Sacra, no Coliseu de Roma.
A celebração, marcada para esta sexta-feira, volta a colocar o Papa no centro de uma das cerimónias mais simbólicas do calendário litúrgico, que evoca o caminho de Jesus até ao Gólgota.
Um gesto que quebra a tradição
Até agora, era habitual que os Papas segurassem a cruz apenas em momentos específicos — geralmente na primeira e/ou na última estação.
Leão XIV, nome pontifício de Robert Prevost, decidiu alterar esse protocolo e assumir integralmente as 14 estações da Via Sacra, num gesto carregado de simbolismo.
A decisão surge como uma marca pessoal do novo pontífice, que assim reforça a dimensão de proximidade e participação física no ritual.
Meditações com marca do Médio Oriente
As 14 meditações que acompanham o percurso foram escritas pelo padre Francesco Patton, franciscano e antigo Custódio da Terra Santa, ao longo de quase uma década, entre 2016 e 2025.
O religioso tem sido uma voz ativa sobre o sofrimento das populações do Médio Oriente, tema que deverá também marcar o conteúdo espiritual desta Via Sacra.
O Vaticano deverá divulgar os textos na manhã de Sexta-feira Santa, antes da celebração, que será transmitida para todo o mundo.
Um novo ciclo após Francisco
A cerimónia deste ano ganha ainda maior significado por acontecer após a ausência do Papa Francisco na Via Sacra de 2025, devido a problemas de saúde.
Nos anos anteriores, tinha sido o próprio Francisco a escrever as meditações, mantendo uma tradição que agora é também renovada com novos protagonistas.
Com este gesto, Leão XIV não só estreia uma nova abordagem à cerimónia como imprime desde cedo uma marca própria no seu pontificado — num dos momentos mais simbólicos da Igreja Católica.













