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Luanda, 18 abr 2026 (Lusa) — O Presidente angolano apelou hoje a um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica em Angola, como parceira do Estado, para trabalhar com o executivo em prol do desenvolvimento económico e social do país.
Dirigindo-se ao Papa Leão XIV, João Lourenço expressou regozijo por o receber, afirmando que, nos próximos dias, terá oportunidade de constatar o carinho de que goza junto dos fiéis católicos, dos cristãos e dos angolanos em geral.
João Lourenço falava no salão protocolar da Presidência, após ter recebido Leão XIV, que chegou hoje a Angola, num encontro com vários setores da sociedade angolana, entre membros do executivo, corpo diplomático, líderes religiosos e partidários e elementos da sociedade civil.
O chefe de Estado sublinhou que esta é a terceira visita de um Sumo Pontífice ao país, reflexo das “relações construtivas entre Angola e a Santa Sé” e que “sinalizam, hoje, mais um passo do reforço do diálogo e das bases sobre as quais assenta o grande papel social da Igreja Católica”, lembrando que o primeiro contacto oficial entre a Santa Sé e esta região de África remonta ao século XVII.
João Lourenço disse que gostaria de poder contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica, na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharem em prol do desenvolvimento económico e social do país.
Salientou que a atenção aos pobres também tem uma ressonância “muito especial” entre os governantes angolanos, servindo de guia na “ação quotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferença e a exclusão social”.
Apontou também as iniciativas que o Estado angolano empreende para dignificar locais de culto, entre as quais a nova basílica de Nossa Senhora da Muxima, onde os cristãos católicos poderão expressar, em melhores condições, a sua devoção a Deus.
Lembrou que Angola é um Estado laico, onde cada cidadão pode expressar livremente a sua fé, tendo o catolicismo “uma grande expressão que se reflete no grande número de crentes e na sua grande expansão pelo território nacional”, coexistindo com uma grande diversidade de religiões que convivem entre si pacificamente.
Por outro lado, salientou que “mesmo nas circunstâncias mais difíceis do passado, o diálogo entre as autoridades angolanas e as instituições religiosas católicas manteve-se sempre voltado para a construção de entendimentos” e que “esta busca constante do diálogo e da interação entre o Estado e a Igreja Católica ajudou o Governo angolano na formulação de políticas sociais, na organização de investimentos nos setores da saúde, da educação e ensino, da oferta de água e energia elétrica, habitação, na criação de emprego e no combate à pobreza”.
“Esta é uma missão”, destacou, em que o executivo angolano está profundamente “empolgado”, tendo noção plena de que se trata de um desafio complexo e difícil, que requer recursos que não são tão abundantes quanto seria desejável.
Considerou, no entanto, que a trajetória e a experiência de Angola ao longo das últimas décadas ilustram o facto de ser uma nação que consagra a resolução das crises pelo diálogo, algo que marca também a diplomacia angolana, que tem moldado “de maneira significativa” a política externa, levando a desenvolver iniciativas diversas em prol da paz no continente africano.
“Olhamos para o mundo como um espaço de convivência entre pessoas e nações, de culturas e religiões diferentes e com a firme convicção de que, apesar desta diversidade, todos podem e devem conviver pacificamente”, realçou o chefe de Estado.




