A crise provocada pelo novo coronavírus tem demonstrado algumas fragilidades, não só dos países afectados como também da União Europeia no seu todo. O jornal espanhol El Economista nota que a pandemia evidencia o facto de que a comunidade é composta por um conjunto heterógeneo de países cuja reacção natural perante um problema grave é actuar de acordo com os seus próprios interesses. Pelo menos, numa primeira fase.
Itália terá sido vítima disso mesmo, uma vez que poucos foram os apoios externos que recebeu quando se viu a braços com o pico de infecção por COVID-19. Segundo a mesma publicação esta primeia reacção mais egoísta – que não mostra preocupação pelos vizinhos – deixa claro que a união económica não criaou um sentimento de nação.
Agora, que está na algura de negociar medidas económicas no sentido de mitigar os efeitos da pandemia, cada governo também parece lutar pelo seu próprio país. O cenário faz lembrar 2012, quando o Banco Central Europeu mostrou ser a única instituição disposta a fazer o que é necessári opara salvar o euro.
A diferença, nota o El Economista, está nas ascensão dos movimentos centrífugos, que parecem ter ganho força ao longo dos últimos oito anos. Os partidos populistas estão à espreita, sublinha o jornal espanhol, e recuperar a soberania monetária ou as fronteiras pode ser muito tentador – ainda que perigoso.
A opinião é partilhada pela TD Securites, segundo a qual, “o risco de ruptura da Zona Euro é mais forte nesta ocasião devido ao surgimento de partidos populistas e de problemas sociais”.
“A Zona Euro e a União Europeia estão em risco” admite ainda o El Economista, apontando para a falta de acordo entre governantes, que obrigará o Banco Central Europeu a um esforço sobrenatural para evitar o fim da moeda única. Esta instituição terá de comprar quantidades significativas de dúvida soberana para que a crise sanitária não se transforme noutro tipo de crise.
Junta-se ainda a tensão entre Norte e Sul. De acordo com o Commerzbank, “é provável que o conflito não resolvido entre os países do Norte e os do Sul da Europa exerça mais pressão sobre os preços dos títulos dos governos dos países so Sul”. Neste momento, já se verifica um aumento de dívida espanhola, italiana e portuguesa em circulação no mercado.







