Pandemia obriga empresas a rever benefícios dos trabalhadores. Saúde mental e gestão de stress são o novo foco

57% das organizações em Portugal adaptou ou planeia adaptar os seus programas de benefícios para colaboradores, como consequência da crise gerada pela Covid-19.

Sónia Bexiga

As empresas portuguesas prevêem algumas mudanças importantes na área dos benefícios dos seus colaboradores como resultado da Covid-19, segundo apurou o estudo da Willis Towers Watson, feito a nível global no início de junho.

Os resultados do estudo “2020 COVID-19 Benefits” referentes às empresas do nosso país refletem as medidas implementadas para a contenção da pandemia, no entanto, estão a planear alguns ajustamentos significativos nos benefícios concedidos aos seus colaboradores.

Com efeito, o estudo, que contou com a participação de mais de 300 empresas multinacionais, 46 delas portuguesas, mostra que 57% das organizações em Portugal adaptou ou planeia adaptar os seus programas de benefícios para colaboradores, como consequência da crise gerada pela Covid-19.

Isto situa Portugal no terceiro lugar dos países europeus, com Espanha e Itália à cabeça (ambas com 64%), seguindo-se a Dinamarca (39%), Alemanha (36%), Suíça (33%) e Noruega (10%).

“O estudo mostra, inequivocamente, que uma das prioridades mais importantes para as empresas portuguesas é melhorar, a curto prazo, os programas de bem-estar e os benefícios para os seus recursos humanos”, sublinha a consultora, no estudo, destacando ainda que um terço das empresas portuguesas acredita que haverá um impacto negativo, moderado ou significativo, no bem-estar dos seus colaboradores.

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Prioridades: comunicação dos benefícios, serviços de saúde mental e gestão de stress

Os resultados do survey que a WTW efetuou no final do primeiro semestre evidenciam as preocupações das estruturas de RH em apoiar os seus colaboradores a adaptarem-se a estas novas realidades, sendo que mais de metade fizeram ou preveem fazer alterações aos seus programas de benefícios, havendo um claro foco no melhorar os programas de bem-estar.

Entre as prioridades das empresas destacam-se a comunicação dos benefícios existentes aos colaboradores, assim como a melhoria do acesso a serviços de saúde mental e gestão de stress. Ao nível do seguro de saúde, existe já uma clara promoção de soluções virtuais, como as da telemedicina, com o intuito de facilitar o acesso aos cuidados médicos dentro desta nova realidade”.

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O estudo indica os colaboradores, no futuro, irão beneficiar de uma maior flexibilidade quer relativamente ao local onde realizam o seu trabalho quer em termos de horário. Ferramentas virtuais adicionais irão ajudá-los a lidar melhor com os desafios do teletrabalho, como a solidão e/ou o stress. As empresas também pretendem disponibilizar aos seus gestores de pessoas, ferramentas para envolver os colaboradores remotos no novo ambiente de trabalho.

Além disso, outras medidas que as empresas portuguesas estão a implementar para apoiar os seus colaboradores incluem ainda o estímulo ao teletrabalho, aumentando a frequência de videoconferências para fins profissionais ou não profissionais, o financiamento do bem-estar, promovendo ajuda financeira e serviços de orientação.

Em análise a estes resultados, Ana Marta Vasa, Retirement Senior Director na Willis Towers Watson Portugal, reforça que “a pandemia veio, de certa forma, acelerar a necessidade de as empresas dedicarem tempo a desenvolver e implementar planos de bem-estar para os seus colaboradores, seja ao nível do bem-estar mental, físico, social ou financeiro. Os resultados deste survey permitem-nos observar um caminho positivo nesse sentido, com muitas organizações a repensarem e a reinventarem a forma como estavam a gerir e apoiar os seus colaboradores”.

“A necessidade de implementarem planos que permitissem a continuidade do trabalho, levou a que muitas organizações colocassem um grande focus no bem-estar dos seus colaboradores. Muitas reconhecem que existem ainda muito por fazer nesta área, e que num futuro próximo irão alargar e aprofundar muitas das medidas tomadas”, conclui.

Impacto no negócio e restabelecimento da estabilidade

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Do ponto de vista da empresa, o foco tem sido e continua a ser, a estabilização da atividade empresarial. De acordo com as conclusões do estudo, 50% das empresas portuguesas preveem um impacto significativamente negativo no desempenho dos seus negócios, nos próximos 6 meses.

Reforçando que a pandemia “está a ter um impacto muito expressivo no mundo empresarial”, Miguel Albuquerque, Health & Benefits Director na Willis Towers Watson Portugal, explica ainda que nas áreas dos recursos humanos “aquilo que eram simples tendências passaram a ser uma evidência, obrigando as empresas a adaptarem-se a novas realidades e desafios”.

“Estas mudanças rápidas sobrecarregam os líderes que têm de tomar decisões críticas em ambiente de grande incerteza e os colaboradores que têm de se adaptar a formas totalmente diferentes de trabalhar, sujeitos a equilíbrios muito ténues entre as suas vidas profissionais e pessoais”, ressalva ainda o responsável.

Cerca de 49% das empresas preveem ainda que os efeitos negativos continuem no segundo ano. As empresas estão a enfrentar os desafios com maior flexibilização do regime de teletrabalho, faseando o regresso e comunicando de forma mais sistemática. Além disso, os colaboradores estão a ser ouvidos com maior frequência, através de inquéritos internos, que contribuam para a definição de soluções que deem resposta aos seus receios e necessidades.

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