Pandemia deixou os europeus mais propensos a acreditar em teorias da conspiração, indica estudo

Um ano de pandemia de covid-19 deixou muitos europeus mais cansados, pessimistas e críticos em relação à forma como os governos estão a lidar com a crise. Segundo um estudo, os europeus estão também mais propensos a acreditar em teorias da conspiração.

Um inquérito realizado a quase 8000 pessoas em França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, desenvolvido pelo centro francês de investigação política Cevipof, mostrou níveis generalizados de crença em teorias de conspiração relacionadas com a covid-19 e vacinas nos quatro países.

Mais de 36% dos inquiridos em França, 32% em Itália e Alemanha, e 31% na Grã-Bretanha concordaram que os Ministérios da Saúde estavam a trabalhar com empresas farmacêuticas para encobrir os riscos das vacinas. Já 42% em França, 41% na Grã-Bretanha, 40% em Itália e 39% na Alemanha sentiam que os governos estavam a explorar a crise para “controlar e monitorizar” os cidadãos.

O inquérito também confirmou um contraste nos níveis de confiança social e política entre o Sul e o Norte da Europa.

As experiências dos quatro países com a pandemia não são as mesmas: a Itália, duramente atingida na primavera passada, está a começar cautelosamente a reabrir; a Alemanha e o Reino Unido, ambos com segundas ondas mais mortíferas do que a primeira, ainda não o podem fazer; já França espera evitar um terceiro confinamento.

Quando questionados sobre a palavra que melhor descreve o seu estado de espírito, 41% dos inquiridos franceses escolheram “cansados”. Em Itália, este valor foi de 40%, na Grã-Bretanha foi 31% e na Alemanha 7%.

Da mesma forma, a proporção de pessoas que considera que “sombrio” descreve melhor o seu estado de espírito é de 34% em França, e 24% em Itália. Na Alemanha é de 14% e na Grã-Bretanha é de 16%.

Perguntados se concordavam com a gestão da crise pelo seu governo, 56% dos alemães responderam “totalmente” ou “parcialmente”, enquanto 48% na Grã-Bretanha, 37% em França, e 52% em Itália responderam o mesmo.

As diferentes atitudes em relação ao governo e às instituições refletiram-se também nas preocupações com as consequências económicas do covid-19, segundo o inquérito, com níveis de preocupação elevados nos quatro países, mas maiores em França e Itália.

Quase 90% dos inquiridos em Itália e 84% dos inquiridos em França disseram estar muito ou bastante preocupados com a situação económica pós-pandémica no seu país, em comparação com 80% dos inquiridos no Reino Unido e 72% na Alemanha.

A aceitação da vacina mostrou uma divisão semelhante, sendo os franceses novamente os mais cautelosos: apenas 49% dos inquiridos em França afirmaram ser provável que fossem, ou já tivessem sido, inoculados contra a covid-19, contra 80% no Reino Unido, 76% em Itália e 66% na Alemanha.

O inquérito foi realizado pela Opinionway entre o dia 20 de janeiro e 11 de fevereiro.

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