Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em Portugal, as indicações no universo dos cuidados de saúde primários foram sempre no sentido de evitar deslocações ao centro de saúde e privilegiar a assistência médica não presencial, através do telefone ou correio eletrónico.
Mas estas indicações só se cumprem se existirem meios para assegurar que todos os utentes são atendidos. E segundo alerta o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, Diogo Urjais, em declarações à ‘Rádio Renascença’, a Covid-19 veio evidenciar a falta de meios que existe nos Centros de Saúde.
“Aquilo que a pandemia veio reforçar é que os recursos materiais nas unidades não correspondem às necessidades do aumento da consulta não presencial e até da presencial”, reforçou o profissional de saúde, destacando a questão dos telefones.
“Se a nível nacional a resposta ao atendimento telefónico não era das melhores, não era realmente o forte dos cuidados de saúde primários, com o aumento desta atividade obviamente podemos ter alguma rutura”, concluiu.
O presidente da associação assegurou ainda, à ‘RR’ que não se verificou um colapso do sistema porque foram sendo postas em prática saídas como a “compra de cartões pré-pagos” ou ligações “do próprio telemóvel”.
Além de telefones, falta também pessoal, frisa o responsável. “É importante investir em recursos humanos, nomeadamente em secretários clínicos, porque se nós estamos a aumentar a carga horária não presencial, e se os secretários clínicos ou os administrativos técnicos já eram a classe mais em falta, a resposta torna-se mais difícil”, detalha Urjais, afirmando assertivo que “começa a haver alguma exaustão nos centros de saúde”.
Também a questão da proximidade ao inverno começa a preocupar. Sobre o recente anúncio do Governo de que tem em marcha um “plano de grande profundidade” para preparar um outono/inverno em simultâneo com a atividade Covid-19, o responsável assegura que “não é a resposta necessária até porque, se for coincidente com o Orçamento Suplementar, verbas para os cuidados de saúde primários há muito poucas”.













