Pandemia aumenta racismo contra chineses em Portugal

São alguns os relatos de racismo contra a comunidade chinesa em Portugal, que aumentaram com a pandemia da Covid-19, com muitos imigrantes a ser impedidos de beber café ao balcão, porque os empregados receavam que pudessem contagiar os outros clientes, avança o ‘Expresso’.

Os casos mais visíveis e frequentes estão nas redes sociais. No Twitter e Facebook  são muitas as mensagens de ódio contra os «chinocas», «amarelos», «de olhos em bico», responsabilizados pela chegada do vírus a Portugal.

«Em 17 anos já são três vírus chinocas», pode ler-se num dos comentários. «Não comecem a responsabilizar os chinocas por estas pragas. Deixem-nos andar livremente que vamos todos comprar bilhete só de ida», lê-se noutro. «Até ponho a hipótese de este vírus ser parte de uma guerra biológica para expansão dos chineses», é outro exemplo destacado pelo ‘Expresso’.

Há ainda o registo de uma loja asiática, localizada na região norte, que viu todos os seus empregados portugueses demitirem-se, com medo de que o contacto com os colegas chineses os fizesse contrair o vírus.

Para além disso, também nas filas dos supermercados, têm havido cada vez mais casos de pessoas que se recusam a estar perto de cidadãos de origem oriental, precisamente com o mesmo receio de que exista risco de contágio.

O jornal reporta ainda uma outra situação que diz respeito a uma aluna portuguesa, que recebeu uma encomenda vinda da China destinada a uma colega que nasceu no país, e decidiu embrulhá-la em vários sacos de plástico. «Sem ofensas, mas tinha medo do vírus», escreveu  na mensagem enviada à colega.

Ataques atingiram pico em dezembro de 2020

Os ataques verbais à comunidade chinesa atingiram o seu pico, logo no final de 2020, à medida que foram surgindo as primeiras notícias de infeções por Covid-19 em Wuhan, na China. «O medo e as incertezas devido ao vírus fizeram crescer os discursos agressivos», revela uma fonte citada pelo jornal, que investiga este tipo de extremismos.

Apesar de ressalvar que há exceções e que de forma geral os portugueses são acolhedores para os orientais, o líder da comunidade chinesa e empresário portuense, Y Ping Chow, admite que os primeiros meses de 2020 foram difíceis.

«Sentimos no início da pandemia algum tipo de racismo. Sobretudo as crianças sofreram alguma discriminação na escola», afirma ao jornal sublinhando que estas foram alvo de «palavrões», mas nunca de «agressões». Um dos exemplos que dá é o facto de o acórdão do juiz José Registo, do Tribunal Central Criminal de Lisboa, ter chamado «vírus chinês» à Covid-19.

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