Pandemia abana riqueza mas Portugal está entre os menos afectados

Portugal não deverá sofrer tanto com a pandemia de COVID-19 como outros países, pelo menos no que aos níveis de riqueza diz respeito.

Filipa Almeida

Portugal não deverá sofrer tanto com a pandemia de COVID-19 como outros países, pelo menos no que aos níveis de riqueza diz respeito. O relatório “Global Wealth 2020: The Future of Wealth Management — A CEO Agenda”, da consultora Boston Consulting Group (BCG), mostra que, após o embate da crise, a riqueza em Portugal deve regressar a crescimentos de 3 a 4% ao ano, até 2024.

A nível global, a volatilidade nos mercados financeiros e o impacto do vírus poderão causar perdas superiores às da crise de 2008, indica a BCG, com perdas entre os 6 e os 16 biliões de dólares já este ano. Ainda assim, há sinais positivos a ter em conta: seja num cenáro mais pessimista (1,4%) ou optimista (4,5%), a tendência continua a ser de crescimento – mesmo que mais lenta do que seria expectável.

«Consideramos que esta crise é substancialmente diferente da de 2008, tornando difícil antecipar o real impacto que terá na economia, porque a rapidez de retoma depende em grande parte de medidas de saúde pública e das intervenções dos governos e bancos centrais, além da evolução da doença e do seu tratamento», explica Carlos Barradas, managing director & senior Partner da BCG Lisboa.

Portugal menos exposto

Como Portugal se apresenta menos exposto aos mercados financeiros, o crescimento da riqueza era, até ao ano passado, inferior à média global. Contudo, esse mesmo motivo permite que não seja tão impactado pela pandemia.

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Carlos Barradas sublinha que «o investidor português médio adopta uma estratégia de alocação dos seus activos que é mais conservadora do que a adoptada por investidores noutros mercados». Embora isso faça com que não tenha obtido retornos mais elevados durante a última década, agora essa opção parece colher frutos.

«É por isso que as fortunas pessoais não deverão ser tão afectadas nos próximos anos. Ainda assim, a longo prazo, esta característica de grande aversão ao risco tem impedido o crescimento das fortunas portuguesas de acompanhar o registado a nível médio globalmente», alerta o managing director & senior Partner da BCG Lisboa.

Onde pára a riqueza?

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O mesmo estudo mostra que a maioria da riqueza em Portugal continua a ser detida pelos que possuem menos de 250 mil euros (51%). Contudo o peso destes indivíduos desceu nos últimos 20 anos (era de 57% em 1999).

A BCG indica ainda que, actualmente, 12% da riqueza é detida pelos que possuem fortunas de mais de 100 milhões de euros, valor que contrasta com os 9% de 1999.

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