Portugal não deverá sofrer tanto com a pandemia de COVID-19 como outros países, pelo menos no que aos níveis de riqueza diz respeito. O relatório “Global Wealth 2020: The Future of Wealth Management — A CEO Agenda”, da consultora Boston Consulting Group (BCG), mostra que, após o embate da crise, a riqueza em Portugal deve regressar a crescimentos de 3 a 4% ao ano, até 2024.
A nível global, a volatilidade nos mercados financeiros e o impacto do vírus poderão causar perdas superiores às da crise de 2008, indica a BCG, com perdas entre os 6 e os 16 biliões de dólares já este ano. Ainda assim, há sinais positivos a ter em conta: seja num cenáro mais pessimista (1,4%) ou optimista (4,5%), a tendência continua a ser de crescimento – mesmo que mais lenta do que seria expectável.
«Consideramos que esta crise é substancialmente diferente da de 2008, tornando difícil antecipar o real impacto que terá na economia, porque a rapidez de retoma depende em grande parte de medidas de saúde pública e das intervenções dos governos e bancos centrais, além da evolução da doença e do seu tratamento», explica Carlos Barradas, managing director & senior Partner da BCG Lisboa.
Portugal menos exposto
Como Portugal se apresenta menos exposto aos mercados financeiros, o crescimento da riqueza era, até ao ano passado, inferior à média global. Contudo, esse mesmo motivo permite que não seja tão impactado pela pandemia.
Carlos Barradas sublinha que «o investidor português médio adopta uma estratégia de alocação dos seus activos que é mais conservadora do que a adoptada por investidores noutros mercados». Embora isso faça com que não tenha obtido retornos mais elevados durante a última década, agora essa opção parece colher frutos.
«É por isso que as fortunas pessoais não deverão ser tão afectadas nos próximos anos. Ainda assim, a longo prazo, esta característica de grande aversão ao risco tem impedido o crescimento das fortunas portuguesas de acompanhar o registado a nível médio globalmente», alerta o managing director & senior Partner da BCG Lisboa.
Onde pára a riqueza?
O mesmo estudo mostra que a maioria da riqueza em Portugal continua a ser detida pelos que possuem menos de 250 mil euros (51%). Contudo o peso destes indivíduos desceu nos últimos 20 anos (era de 57% em 1999).
A BCG indica ainda que, actualmente, 12% da riqueza é detida pelos que possuem fortunas de mais de 100 milhões de euros, valor que contrasta com os 9% de 1999.



