A Palestina tornou-se o lugar mais perigoso do mundo, depois de 87% da população na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ter sido exposta a violência extrema no último ano, denuncia o Índice de Conflito preparado pelo ACLED, projeto que se dedica a monitorizar a violência política no mundo.
Entre julho de 2023 e julho de 2024, morreram 39.800 palestinianos, dos quais 35.200 eram civis, número que deslocaram aquele que tinha sido o até então conflito mais mortal, na Ucrânia, onde foram registadas 37.300 mortes, sem distinção entre civis e soldados. Além disso, durante este período, foram registados 16.930 conflitos na Palestina, com quase 3,5 milhões de pessoas a viver num raio de um quilómetro de violência.
“As mortes de palestinianos são a principal razão pela qual as mortes em conflitos políticos globais aumentaram para mais de 200 mil este ano (Até 30 de junho), um aumento impressionante de um terço em relação às quase 150 mil mortes em todo o mundo no período anterior”, explicou o presidente e CEO da ACLED, Clionadh Raleigh.
Para elaborar o seu índice, o ACLED leva em consideração quatro fatores: letalidade, periculosidade (risco para a população civil), difusão (proporção do território do país afetado) e fragmentação (número de atores armaddos).
A Palestina ocupa o primeiro lugar em três dos quatro indicadores (letalidade, perigo e difusão), ao passo que a Birmânia lidera o indicador de fragmentação devido às mais de 1.500 forças armadas presentes no seu território.
De acordo com estimativas da ACLED, uma em cada sete pessoas no mundo foi exposta a conflitos no mesmo período, que salientou que existe “algum grau de violência política em quase todos os países e territórios do mundo”.














