A poucos meses das eleições presidenciais em França, Emmanuel Macron, que ainda não oficializou a sua candidatura a um novo mandato presidencial, está no centro de uma crispação política que lhe pode custar muitos votos e que já lhe valeu várias críticas da oposição.
Em entrevista ao jornal francês Parisien, Macron manifestou o desejo de dificultar a vida aos não vacinados. “Tenho muita vontade de os chatear. E vamos continuar a fazê-lo até ao fim. É esta a estratégia”, afirmou. O presidente francês foi ainda mais longe ao defender que “um irresponsável não é mais um cidadão “.
As críticas não se fizeram esperar e os ânimos exaltaram-se nos trabalhos na assembleia francesa ontem ao final da noite, com a oposição a condenar prontamente a postura de Macron e a anular a votação sobre o passe sanitário.
“Um presidente não deveria dizer isto”, afirmou o chefe dos Republicanos, Christian Jacob. “O Presidente optou deliberadamente por histerizar o debate ”, acusou o deputado comunista Sébastien Jumel. Já para a conservadora Valérie Pécresse, que apresenta bons números nas sondagens eleitorais, Emmanuel Macron revelou “uma total falta de empatia” face aos não vacinados. “Não diz respeito ao presidente da República dividir os franceses em bons e maus. Há que aceitá-los como são, orientá-los e uni-los sem os insultar”, afirmou a candidata conservadora ao canal Cnews, citado pelo jornal espanhol El Confidencial. Para Marine Le Pe a “vulgaridade” de Macron espelha bem que “nunca se considerou presidente de todos”, defendeu , conhecida candidata da extrema direita.
Longe de estar por terminada a polémica, o futuro dirá agora como é que os 5 milhões de franceses não vacinados vão responder a Emmanuel Macron e se essa resposta será dada nas urnas, no próximo mês de abril.












