Os países ricos vão falhar uma promessa-chave que fizeram às nações mais pobres, no que toca à crise climática, ao não fornecerem o dinheiro necessário para enfrentarem as consequências ambientais, advertiu o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em entrevista ao The Guardian.
Os países em desenvolvimento deveriam receber, pelo menos, 100 mil milhões de dólares em ajuda financeira de fontes públicas e privadas este ano e em anos futuros, para os ajudar a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, lidando ao mesmo tempo com as condições meteorológicas extremas. A promessa foi uma das pedras angulares do acordo climático de Paris de 2015.
Mas o financiamento este ano vai ficar aquém do compromisso de longa data, o que terá um impacto prejudicial na confiança que os países em desenvolvimento depositam no acordo de Paris, sublinhou António Guterres ao The Guardian.
“É evidente que ainda não estamos na meta dos 100 mil milhões de dólares. Em 2020 isto não vai acontecer. Todas as indicações que tenho são que, em 2020, teríamos um baixo nível de apoio por parte do mundo desenvolvido aos países em desenvolvimento no que toca ao financiamento climático, tanto para mitigação das emissões como para adaptação aos impactos das alterações climáticas”, afirmou.
Guterres alertou também para os impactos desse fracasso. “Isso será negativo. Precisamos de ganhar a confiança dos países em desenvolvimento e uma das formas de garantir isso é implementar o que foi prometido e cumprir os compromissos que foram assumidos – um deles os 100 mil milhões de dólares”.
De acordo com o secretário-geral, a ONU está a preparar um relatório que vai estabelecer até que ponto o financiamento climático está fora do objetivo previsto.




