Os países mais ricos vão ser chamados a contribuir financeiramente, e de forma significativa, para ajudar países com grandes necessidades de protecção da biodiversidade, tais como o Brasil, de acordo com o ‘The Guardian’.
Pagar milhares de milhões aos países com ecossistemas que sustentam a vida, tal como a floresta Amazónia, pelos serviços que esses ecossistemas prestam ao mundo, foi a proposta que surgiu na sequência de conversações sobre um acordo global da ONU, em Roma, para travar e reverter o declínio da biodiversidade.
Alguns especialistas, que defendem a protecção e a conservação dos recursos naturais e do meio ambiente, esperam que o possível acordo sirva para limitar o aquecimento global, combatendo a perda da biodiversidade.
Durante as conversações na sede da Organização para a Agricultura e Alimentação, em Roma, vários países africanos e da América Latina manifestaram a necessidade de receber apoio financeiro para proteger os seus ecossistemas que sustentam a vida, desenvolvendo mecanismos para partilhar lucros de descobertas relacionadas com os seus recursos genéticos, tais como novos medicamentos.
A equipa de negociação do Brasil, liderada por Leonardo Cleaver de Athayde, foi particularmente assertiva quanto à necessidade de receber dinheiro pelos serviços do seu ecossistema.
Este tipo de acordo já existe, ainda que em pequena escala, ao abrigo da convenção climática da ONU, onde países com grandes florestas recebem pagamentos para reduzir as emissões derivadas da desflorestação.
Quando questionados sobre este apoio financeiro em larga escala, funcionários da ONU referiram que as negociações ainda estão a decorrer, ressalvando que os objectivos não se atingem sem recursos.
«Quando falamos em biodiversidade, não é apenas isso, é a nossa vida neste planeta. Se a perda da biodiversidade continuar a este ritmo, os seres humanos não vão continuar aqui», refere Francis Ogwal, co-presidente das negociações do acordo, acrescentando «trata-se de garantir a nossa sobrevivência aqui e nas próximas gerações. Então, nesse sentido, porque é que não se coloca mais dinheiro onde é preciso? É para o nosso próprio bem», defende citado pelo ‘The Guardian’.
Para além do Brasil, os países com maiores necessidades de protecção da biodiversidade incluem também China, Colômbia, República Democrática do Congo e Índia.
Marco Lambertini, director-geral da organização não governamental, ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), refere que «o mundo não deve perder a oportunidade sugerida pelas negociações da ONU, de garantir um acordo de natureza ao estilo de Paris, que inclua um conjunto claro de metas e objectivos baseados na ciência».
As negociações desta semana estavam agendadas para a cidade chinesa de Kunming, contudo foram transferidas para Roma devido ao coronavírus e a delegação chinesa não pôde comparecer. Agora espera-se que «o projecto de acordo chegue a Kunming com a ambição necessária para dar à natureza um mundo mais positivo, até ao final da década», conclui Lambertini.
As próximas negociações formais estão agendadas para Cali, na Colômbia, em Julho.






