Pais gastam férias para cuidar dos filhos: estudo defende trabalho híbrido como resposta

Flexibilidade laboral e a possibilidade de trabalhar mais perto de casa surgem como respostas cada vez mais valorizadas pelas famílias

Executive Digest

Novo estudo da IWG revela que quase sete em cada dez pais se sentem stressados com a organização dos cuidados aos filhos durante as férias escolares de verão. A flexibilidade laboral e a possibilidade de trabalhar mais perto de casa surgem como respostas cada vez mais valorizadas pelas famílias.

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De acordo com a International Workplace Group, líder mundial em soluções de trabalho híbrido e detentora de marcas como Regus, Spaces e HQ, 69% dos pais afirmam sentir stress com a gestão dos cuidados aos filhos durante as férias de verão. Ao mesmo tempo, 78% dizem que o acesso a um espaço de trabalho local poderia ajudar a aliviar essa pressão.

As conclusões ganham particular relevância em Portugal, numa altura em que o fim do ano letivo para a educação pré-escolar e para os alunos do 1.º ciclo, a 30 de junho, obriga muitas famílias a reorganizar rotinas, cuidados e dias de férias. Com mais de 400 mil alunos matriculados no 1.º ciclo do ensino básico, as férias escolares de verão representam um desafio prático para muitos pais trabalhadores.

O estudo mostra ainda que 74% dos pais inquiridos dizem precisar de trabalhar de forma flexível para reduzir os custos associados aos cuidados aos filhos durante o verão. Mais de um quarto, 27%, antecipa gastar mais com estes cuidados este ano do que em anos anteriores, num contexto de pressão sobre os orçamentos familiares.

Segundo a IWG, a redução das políticas de trabalho flexível em algumas empresas está a agravar os desafios. Entre os pais que viram a flexibilidade laboral diminuir este ano, 55%, face a 33% em 2025, muitos dizem estar a recorrer a soluções adicionais para conseguir conciliar o trabalho com os cuidados aos filhos.

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Mais de um quarto, 27%, afirma estar a pedir mais apoio a familiares e amigos, enquanto 26% considera que a obrigatoriedade de presença no escritório central está a criar um maior desequilíbrio na partilha dos cuidados entre os membros do casal.

Esta pressão não afeta todos da mesma forma. O estudo indica que as mães trabalhadoras têm maior probabilidade de sentir pressão acrescida na gestão dos cuidados aos filhos durante o verão do que os homens, numa proporção de 74% contra 66%.

Em Portugal, esta desigualdade também se reflete nos dados oficiais. Segundo a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, as mulheres representaram 84,7% dos dias de falta por assistência a filhos em 2024, evidenciando que os cuidados familiares continuam a ter um impacto desproporcional nas rotinas profissionais femininas.

As férias escolares têm também impacto direto na produtividade e na organização diária dos pais. Três quartos dos inquiridos, 75%, afirmam que a rotina familiar durante este período interfere com a vida profissional. Cerca de um quarto, 26%, admite ter mais dificuldade em concentrar-se quando tenta gerir, em simultâneo, o trabalho e a vida familiar.

Para responder ao stress adicional, 28% dos pais dizem que terão de usar parte das férias anuais para cuidar dos filhos. Quase um em cada cinco, 18%, prevê mesmo usar todos os dias de férias durante o período de verão.

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Há também mudanças nas rotinas de trabalho. Cerca de 22% dos pais trabalhadores afirmam que vão marcar menos reuniões ou chamadas durante este período, ou trabalhar até mais tarde para conseguir acompanhar os cuidados aos filhos. Uma percentagem semelhante, 21%, diz que começa a trabalhar mais cedo de manhã para conseguir gerir a carga de trabalho.

Ainda assim, muitos pais apontam uma solução possível. Segundo o estudo, 83% afirmam que provavelmente utilizariam um espaço de trabalho flexível e profissional mais perto de casa caso este fosse disponibilizado pela empresa. Mais de um quarto, 27%, acredita que esta opção lhes permitiria passar mais tempo de qualidade com os filhos durante o verão.

Em Portugal, esta possibilidade torna-se mais prática à medida que os espaços de trabalho flexíveis se expandem para além dos centros urbanos tradicionais. A IWG conta atualmente com localizações como o Spaces Matosinhos, o Regus de Leça da Palmeira e espaços HQ em Portimão, Loulé, Quinta do Lago, Aveiro ou Setúbal, permitindo que os profissionais se mantenham produtivos mais perto dos locais onde as famílias poderão passar parte das férias.

As conclusões do estudo sublinham ainda o papel que o trabalho híbrido pode ter na redução de custos. Mais de dois terços dos pais, 69%, afirmam gastar menos em deslocações durante o verão, o que ajuda a compensar os encargos associados aos cuidados familiares.

A IWG recorda também um outro estudo desenvolvido em colaboração com a Arup, segundo o qual as empresas que permitem aos colaboradores utilizar espaços de trabalho locais e escritórios como parte de uma estratégia de trabalho híbrido podem aumentar a produtividade em até 12% nos próximos cinco anos.

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Para Fatima Koning, Chief Commercial Officer da IWG, a flexibilidade no local de trabalho “não só apoia o bem-estar das famílias, como também contribui para a saúde mental e a satisfação profissional dos colaboradores”.

“Ao responder às necessidades dos pais trabalhadores através de um melhor acesso a diferentes locais de trabalho, em particular espaços de trabalho locais, as empresas podem criar ambientes mais solidários e produtivos, ao mesmo tempo que impulsionam a produtividade e a retenção de talento”, afirma a responsável.

Num período em que muitas famílias gerem custos acrescidos, alterações nas rotinas e necessidades de acompanhamento dos filhos, a possibilidade de trabalhar de forma mais flexível e mais perto de casa surge, segundo a IWG, como uma ferramenta importante para aliviar a pressão do verão.

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