Painel solar “reverso” consegue gerar energia mesmo à noite, garantem especialistas

Protótipo gera apenas uma pequena quantidade de energia e provavelmente não se tornará uma fonte competitiva de energia renovável – mas, em conjunto com a tecnologia fotovoltaica existente, pode aproveitar a pequena energia fornecida pelo arrefecimento das células solares

Francisco Laranjeira

A tecnologia solar convencional absorve os raios de luz do Sol para aumentar a voltagem. Ainda que pareça estranho, há materiais que são capazes de funcionar ao contrário, ou seja, produzir energia à medida que irradiam calor de volta ao céu frio da noite. Uma equipa de engenheiros da Austrália já conseguiu demonstrar a teoria em ação, ao utilizar o mesmo tipo de tecnologia que pode ser encontrada em óculos de visão noturna para gerar energia.

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Até ao momento, o protótipo gera apenas uma pequena quantidade de energia e provavelmente não se tornará uma fonte competitiva de energia renovável por conta própria – mas, em conjunto com a tecnologia fotovoltaica existente, pode aproveitar a pequena energia fornecida pelo arrefecimento das células solares após o pôr-do-sol.

“A energia fotovoltaica, a conversão direta da luz solar em eletricidade, é um processo artificial que os humanos desenvolveram para converter a energia solar em energia”, apontou Phoebe Pearce, física da Universidade de New South Wales. “Nesse sentido, o processo termorradiativo é semelhante; estamos a desviar a energia que flui no infravermelho de uma Terra quente para o Universo frio.”

Ao colocar átomos em qualquer material a balançar com o calor, está-se a forçar os seus elétrons a gerar ondas de radiação eletromagnética de baixa energia na forma de luz infravermelha. Por mais sem brilho que esse movimento de elétrons possa ser, ainda assim tem o potencial de desencadear uma corrente lenta de eletricidade – tudo o que é necessário é um sinal de tráfego de elétrons unidirecional chamado diodo.

Feito da combinação certa de elementos, um diodo pode baralhar elétrons à medida que perde lentamente o seu calor para um ambiente mais frio. Neste caso, o diodo é feito de telureto de mercúrio e cádmio (MCT). Já usado em dispositivos que detetam luz infravermelha, a capacidade do MCT de absorver luz infravermelha de médio e longo alcance e transformá-la em corrente é bem compreendida.

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No entanto, a capacidade de poder ser usado eficientemente como uma fonte de energia real é ainda pouco claro. Aquecido a cerca de 20 graus Celsius, um dos detetores fotovoltaicos MCT testados gerou uma densidade de potência de 2,26 miliwatts por metro quadrado – um valor que não é suficiente para aquecer a água para o café. Provavelmente seria necessários painéis MCT que cobrissem alguns quarteirões para cumprir essa pequena tarefa. Mas ainda é cedo e há potencial que essa tecnologia se desenvolva no futuro. “Neste momento, a demonstração que temos com o diodo termorradiativo é de potência relativamente muito baixa. Um dos desafios foi realmente detetá-lo”, referiu o investigador principal do estudo, publicado na ‘ACS Photonics’, Ned Ekins-Daukes. “Mas a teoria diz que é possível que essa tecnologia produza cerca de 1/10 da energia de uma célula solar.”

Com esse tipo de eficiência, pode valer a pena o esforço de tecer diodos MCT em redes fotovoltaicas mais típicas para que continuem a recarregar as baterias muito depois do pôr do sol. “No futuro, essa tecnologia pode potencialmente recolher essa energia e eliminar a necessidade de baterias em certos dispositivos – ou ajudar a recarregá-los”, garantiu Ekins-Daukes.

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