Igor Brito vive um pesadelo há dois anos, desde que o seu filho foi raptado pela mãe. Os mandados de detenção emitidos em Portugal não têm validade em Espanha, deixando o pai numa situação de impotência e incerteza quanto ao futuro do seu filho.
Sentado no chão de um hospital em Vigo, Espanha, onde se fala uma língua que não é a sua, Igor Brito relata ao Correio da Manhã a sua história de desespero e frustração. “Eu não discuto Justiça, eu sou só um pai a quem há dois anos roubaram um filho,” desabafa. Desde que a mãe levou o menino para um local desconhecido, Igor iniciou uma batalha judicial. Mandados de detenção foram emitidos em Portugal e fora da Europa, com a suspeita de que a criança estivesse no Dubai.
Recentemente, a mãe e o menino foram encontrados em Espanha. O comportamento suspeito da mãe levou os médicos a chamarem a polícia quando o menino foi internado com pneumonia. “Fui avisado que ele estava em Vigo e pensei que o pesadelo tinha terminado,” diz Igor. No entanto, devido às férias judiciais e à falta de validade dos mandados em Espanha, o pesadelo continua.
Para evitar que a mãe volte a desaparecer com o filho, Igor está a tentar uma providência cautelar para impedir que o menino tenha alta do hospital. “Não posso arriscar que a mãe volte a desaparecer, nem tão pouco que ele seja institucionalizado,” explica ao Correio da Manhã. Dois polícias vigiam agora a porta do quarto da criança, aguardando instruções da justiça portuguesa. Enquanto isso, tanto Igor quanto a mãe podem visitar o menino, mas não há garantias de que ela não fuja novamente para o Dubai.
O poder paternal do menino ainda não foi regulamentado. Apesar de existir um processo de rapto e mandados emitidos em Portugal, a ausência prolongada da mãe tem impedido qualquer decisão judicial. A advogada de Igor, Maria José Guiomar, tem feito tudo ao seu alcance, incluindo pedidos ao Tribunal de Menores, mas sem sucesso.
A criança permanece internada no Hospital de Vigo, e a incerteza sobre o seu futuro persiste. A possibilidade de ser institucionalizada em Espanha está em cima da mesa, uma decisão que poderia ser tomada pelas autoridades espanholas se a situação não for resolvida rapidamente.














