O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viajou para Bruxelas esta semana numa das situações mais tensas alguma vez registada entre a União Europeia e os Estados Unidos. Na sede da NATO, Rubio aproveitou para se reunir brevemente com o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, numa altura em que a Administração Trump está a adotar uma postura cada vez mais agressiva em relação à anexação da Gronelândia, uma ilha autónoma cuja defesa e diplomacia são de responsabilidade do Governo dinamarquês.
Apesar da controvérsia, o Departamento de Estado insistiu que os laços entre os Estados Unidos e a Dinamarca permanecem “fortes”. No entanto, nem os avisos das autoridades da Dinamarca nem a opinião dos gronelandeses parecem preocupar Trump. Apesar da recente vitória eleitoral do Partido Liberal — que se opõe abertamente às suas ambições expansionistas — Washington está a avançar com o seu plano de anexar a Gronelândia.
A Casa Branca terá preparado uma estimativa de quanto custaria aos Estados Unidos controlar a ilha como parte do seu território, disseram três funcionários do Governo Trump ao ‘Washington Post’. De acordo com autoridades, o escritório de orçamento da Casa Branca estudou o custo para os Estados Unidos da anexação da Gronelândia e estimou a receita que o Tesouro dos EUA poderia receber ao confiscar os seus recursos naturais. Além disso, as mesmas fontes afirmam que estão a considerar aumentar os subsídios que a Dinamarca atualmente fornece à ilha, que representam aproximadamente um quinto do seu PIB. “É muito mais alto do que isso”, disse uma autoridade. “Pagaremos a eles mais do que a Dinamarca.”
A análise de custos está a ser conduzida pela equipa da Divisão de Assuntos Internacionais do Escritório de Gestão e Orçamento, sob a direção de Russell Vought. a Casa Branca acredita que, embora o custo inicial seja alto, poderia ser recuperado através de recursos minerais e impostos derivados da atividade comercial na Gronelândia.
Mas, de acordo com especialistas, o verdadeiro potencial económico dos recursos da ilha é incerto. Por um lado, a sua extração é um desafio, já que grande parte do país (80%) é composta de gelo e o seu clima extremo dificulta a extensão dos projetos ao longo do tempo. Por outro lado, o Governo da Gronelândia já rejeitou vários planos de mineração no passado, considerando que poderiam representar um risco à biodiversidade da ilha.
De acordo com analistas do Fórum de Ação Americano, as reservas minerais da Gronelândia estão avaliadas em 200 mil milhões de dólares. No entanto, sugerem que o seu valor estratégico — devido à sua localização entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico — seria de cerca de 2.800 mil milhões de dólares.
Mesmo assim, as autoridades citadas sustentam que a anexação da Gronelândia não é uma prioridade atual da política externa republicana e que esse “trabalho adicional” viria depois de alcançar a paz na Ucrânia e em Gaza, além de dissuadir o Irão. Apesar das promessas de campanha de Trump de que alcançaria a paz na Ucrânia em 24 horas, a guerra ainda está em marcha, e os acordos relativos ao cessar-fogo no Mar Negro e nas instalações de energia continuam a ser violados.
O que se sabe é que o presidente dos EUA está cada vez mais convencido de que a ilha deve-se tornar o 51º estado, ,mesmo que isso exija o uso de força militar. Algo que Trump mencionou em diversas ocasiões e reafirmou há apenas três dias em entrevista à ‘NBC News’, afirmando que “nunca descarta o uso da força”.




