Numa altura em que começam a ser apresentados os resultados das grandes empresas,muitas, sobretudo na Europa, anunciaram que vão cancelar os próximos pagamentos de dividendos, atendendo ao impacto económico da pandemia do coronavírus em todo o mundo.
Um conjunto de grandes bancos, incluindo Barclays, HSBC, Societe Generale e Standard Chartered, cancelaram os dividendos em 2020, pressionados pelo Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra.
Em Portugal, apesar de o Banco de Portugal recomendar que não sejam pagos dividendos, a EDP acaba de anunciar que foi aprovada a proposta da administração de distribuir dividendos de 0,19 euros por ação, sendo que o valor total será de aproximadamente 695 milhões de euros (694.742.165,85 euros), o que se traduz num aumento face aos 512 milhões de euros registados no ano passado.
Esta não é, de facto, uma decisão consensual e há quem aponte mesmo benefícios e considere que é um dever moral manter o pagamento dos seus dividendos aos acionistas.
Uma dessas vozes é Keith Skeoch, CEO da Standard Life Aberdeen, gigante britânica na área do investimento. Para quem as empresas têm um “imperativo moral” de pagar dividendos aos acionistas durante a pandemia de coronavírus, como forma de apoiar o pagamento de reformas e pensões.
“A questão moral que existe nesta questão é que uma parte substancial da nossa sociedade depende do pagamento da pensão, e os dividendos, principalmente no momento em que as taxas de juros são incrivelmente baixas, são uma parte importante desse apoio”, frisou Skeoch, em entrevista ao ‘Street Signs Europe’ da CNBC.
Em seu entender, as empresas com balanços positivos e “recursos económicos” para pagar dividendos têm o “imperativo moral” de o fazer. No entanto, Skeoch enfatizou que aqueles que não têm margem nos resultados devem olhar para o quadro a longo prazo e focar-se na sobrevivência.
“Existe esse equilíbrio entre o impacto económico e as nossas obrigações, por isso defendo que para aqueles que podem, há uma responsabilidade moral e devem pagar”, reforçou.
No Reino Unido, 32 membros do FTSE 100 já tinham decidido cortar dividendos a partir de quarta-feira, com apenas 10 empresas a pagar dois terços dos dividendos em 2020, segundo pesquisa da plataforma de investimentos AJ Bell.
A previsão de consenso agregada para pagamentos de dividendos no FTSE 100 2020 chega a 64 mil milhões de libras (79,8 mil milhões de dólares), abaixo dos 85 mil milhões de libras em 2018 e 75 mil milhões de libras em 2019.














