Os pagamentos digitais registaram uma quebra global no dia da greve geral, a 11 de dezembro, mas alguns setores contrariaram a tendência e apresentaram crescimento no número de transações, com destaque para os cabeleireiros e as lavandarias. A conclusão resulta de uma análise da Reduniq, entidade que acompanha a evolução dos pagamentos por cartão na rede de aceitação da Unicre, comparando o dia da paralisação com outros períodos de referência.
De acordo com os dados apurados, citados pelo Observador, o número total de transações realizadas a 11 de dezembro caiu 5,18% face ao dia anterior, 10 de dezembro, e recuou 7,04% em comparação com a quinta-feira da semana anterior, 4 de dezembro. Ainda assim, registou-se um aumento de 4,5% quando comparado com o mesmo dia do ano passado, evidenciando um comportamento distinto consoante o termo de comparação utilizado.
No que diz respeito ao valor da faturação, os resultados foram mistos. Em relação à quinta-feira da semana anterior, verificou-se uma subida de 0,69%, enquanto face ao mesmo dia do ano passado o aumento foi de 1,01%. Em contrapartida, comparando com o dia imediatamente anterior à greve, a faturação caiu 1,88%, refletindo o impacto da paralisação em vários setores da economia.
O ticket médio — ou seja, o valor médio gasto por transação — fixou-se nos 30,10 euros no dia 11 de dezembro. Este valor representa um aumento de 3,48% face ao dia anterior e uma subida significativa de 8,32% em comparação com 4 de dezembro. No entanto, houve uma descida de 3,34% relativamente ao mesmo dia do ano passado, quando o ticket médio tinha atingido os 31,14 euros, num dia marcado também por um grande evento desportivo, com o Benfica a receber o Bolonha para a Liga dos Campeões.
A análise setorial mostra que, face a 11 de dezembro de 2024, os cabeleireiros registaram um crescimento de 7,47% no número de transações, acompanhado por um aumento de 10,93% na faturação e de 3,22% no ticket médio. As lavandarias também se destacaram, com uma subida expressiva de 78,69% no número de transações. O maior crescimento absoluto, no entanto, ocorreu nos casinos e salas de jogo, onde o número de transações disparou 352,21% e a faturação aumentou 276,8%, apesar de uma descida no valor médio gasto.
Ainda na comparação homóloga, verificaram-se aumentos no número de transações em vários outros setores, nomeadamente farmácias, gasolineiras, hiper e supermercados, retalho alimentar, papelarias, livrarias, quiosques de imprensa e tabaco, saúde, veterinária e restauração, revelando que parte da atividade económica se manteve ativa apesar da greve geral.
Quando a comparação é feita entre 11 de dezembro e a quinta-feira da semana anterior, 4 de dezembro, observa-se um reforço da atividade nos cabeleireiros, lavandarias, moda, ourivesarias e joalharias, papelarias e perfumarias. Em sentido inverso, registaram-se quebras nas gasolineiras, na hotelaria, nos hiper e supermercados, na restauração e no retalho alimentar tradicional.
Já na comparação direta com o dia anterior à greve, voltou a verificar-se um aumento das transações nos cabeleireiros, lavandarias, moda, ourivesaria e perfumarias. Pelo contrário, a restauração, as gasolineiras e o setor da saúde registaram quedas significativas, num contexto em que muitos serviços hospitalares e de saúde funcionaram com constrangimentos devido à paralisação.
A análise geográfica dos dados mostra também diferenças relevantes. Lisboa destacou-se como a região com maiores quebras na faturação, apresentando descidas em todas as comparações analisadas — face ao dia anterior, à semana anterior e ao ano passado. Em contraste, os Açores surgem como uma das regiões com maiores subidas nas três comparações, evidenciando um impacto menos negativo da greve geral na atividade económica local.














