Padres, motéis e casas paroquiais: denúncia na PJ aponta para alegados encontros sexuais no Norte

Caso envolve sacerdotes alegadamente ligados à Diocese do Porto, embora o denunciante afirme que também haverá padres da Diocese de Braga envolvidos

Revista de Imprensa

Uma denúncia entregue na Polícia Judiciária do Porto aponta para alegados encontros sexuais entre homens, alguns dos quais com a presença de padres, que terão ocorrido em motéis e até em casas paroquiais no Norte do país, noticia o ‘Correio da Manhã’.

O caso envolve sacerdotes alegadamente ligados à Diocese do Porto, embora o denunciante afirme que também haverá padres da Diocese de Braga envolvidos. A Igreja diz desconhecer o assunto e afirma ter sido apanhada de surpresa.

Segundo a participação a que o ‘Correio da Manhã’ teve acesso, os encontros começariam através da aplicação Grindr, usada sobretudo por homens gay, e prosseguiam depois por WhatsApp. Aos interessados seria dada uma palavra-passe e indicado o local onde deveriam comparecer.

O denunciante, identificado pelo jornal como Joaquim, afirma ter participado em vários desses encontros e garante que alguns contaram com a presença de padres. “Na última orgia onde participei estavam vários padres: entra e sai muita gente. Muitos homens, porque é só preciso dar uma senha. Quem quiser entrar, entra”, relatou ao jornal.

De acordo com a denúncia, os participantes seriam todos adultos e os atos sexuais consentidos. O denunciante diz não ter visto menores nos encontros.

Continue a ler após a publicidade

Em causa poderá estar, sobretudo, a eventual utilização indevida de espaços da Igreja. No entanto, para que essa vertente seja investigada pela Polícia Judiciária, poderá ser necessária uma queixa da própria instituição.

Encontros semanais e grupos apagados

O denunciante afirma que as festas decorrem todas as semanas, mas nem sempre nos mesmos locais. Segundo o relato feito ao ‘Correio da Manhã’, terão ocorrido em motéis e em casas paroquiais no Norte do país, prolongando-se durante a noite.

Continue a ler após a publicidade

A organização passaria pela criação de grupos temporários no WhatsApp. De acordo com a denúncia, esses grupos seriam apagados após cada encontro, para não deixar rasto.

Na participação entregue à Polícia Judiciária foram incluídos nomes de alegados padres envolvidos, números de telemóvel e outros pormenores sobre os encontros. O denunciante afirma ainda ter na sua posse mensagens, fotografias e vídeos, que diz estar disponível para entregar às autoridades caso seja chamado a depor.

Segundo o jornal diário, algumas fotografias mostram homens com a cara tapada por máscaras. O denunciante sustenta que se trata de padres e afirma que a identificação poderá ser feita através de marcas físicas distintivas.

Padres negam envolvimento

O ‘Correio da Manhã’ contactou um padre apontado pelo denunciante como alegado organizador dos encontros em casas paroquiais. Contactou também outros sacerdotes cujos nomes surgem referidos na denúncia.

Continue a ler após a publicidade

Todos negaram a participação em encontros homossexuais. Segundo o jornal, um dos visados chegou a ameaçar avançar com uma providência cautelar para impedir a divulgação da sua identidade.

A Diocese do Porto também reagiu, afirmando que foi “colhida de surpresa” e que desconhece completamente o assunto. Formalmente, o bispo do Porto não terá sido notificado da queixa.

Para já, o caso assenta numa denúncia apresentada à Polícia Judiciária e em alegações de um participante. Não há indicação de que tenha sido aberta uma investigação formal ou de que existam arguidos constituídos.

Um caso sensível para a Igreja

A denúncia surge num contexto particularmente delicado para a Igreja Católica, que mantém uma doutrina crítica em relação aos atos homossexuais e defende a castidade para pessoas homossexuais.

É precisamente esse contraste que torna o caso especialmente sensível: as alegações apontam para práticas privadas consentidas entre adultos, mas envolvendo sacerdotes e, em alguns casos, espaços ligados à Igreja.

A dimensão disciplinar e institucional dependerá agora de eventuais diligências das autoridades e de uma possível reação formal da própria Igreja, caso entenda apresentar queixa ou abrir averiguações internas.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.