Padre Guilherme: o DJ português que leva a fé às pistas e conquista a imprensa internacional

Originalidade do percurso e o impacto junto dos mais jovens valeram-lhe destaque em meios internacionais como a ‘CNN’, o ‘Washington Post’ e a agência ‘Reuters’

Francisco Laranjeira

O padre Guilherme Peixoto, sacerdote português radicado em Braga, tem-se afirmado como um fenómeno improvável à escala global, ao conciliar o ministério católico com atuações de música eletrónica que o levaram de catedrais europeias a grandes festivais na América Latina. A originalidade do percurso e o impacto junto dos mais jovens valeram-lhe destaque em meios internacionais como a ‘CNN’, o ‘Washington Post’ e a agência ‘Reuters’.

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De acordo com a ‘Reuters’, o DJ, de 51 anos, esteve em digressão pela América Latina, com salas cheias da Colômbia ao México, incluindo atuações em cidades como Monterrey, onde centenas de jovens encheram uma pista de dança ao som de batidas eletrónicas sobrepostas a mensagens espirituais. Vestido de batina, o padre português atua atrás dos gira-discos, integrando nos seus sets símbolos religiosos, imagens de papas e referências locais, como a Virgem de Guadalupe, num equilíbrio que descreve como essencial entre “adrenalina” e “contemplação”.

A projeção internacional foi reforçada semanas antes, na Eslováquia, numa atuação realizada na Catedral de Santa Isabel, em Košice, durante um festival da juventude que coincidiu com a celebração do aniversário do arcebispo local. O momento ganhou dimensão viral quando Peixoto integrou, em cima da hora, uma mensagem em vídeo do Papa Leão XIV, enviada pelo Vaticano para surpreender o prelado. A abertura do espetáculo, que combinou a mensagem papal com sintetizadores e luzes cénicas, ultrapassou milhões de visualizações nas redes sociais e levou muitos utilizadores a questionar se as imagens eram reais.

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Segundo a ‘Reuters’, a ascensão do padre DJ começou há cerca de duas décadas, quando criou um bar paroquial em Portugal para ajudar a saldar as dívidas de uma igreja que lhe foi confiada no início do sacerdócio. A música, inicialmente uma solução prática para atrair pessoas e angariar fundos, acabou por se tornar um projeto estruturado, levando-o a frequentar aulas de DJ já depois dos 40 anos e a profissionalizar uma atividade que hoje o coloca em palcos internacionais.

Peixoto sublinha que nunca viu conflito entre a fé e a música eletrónica. Pelo contrário, entende a pista de dança como um espaço de comunidade, sem julgamentos, onde é possível transmitir uma mensagem de alegria, inclusão e pertença. Essa visão tem-lhe valido o apoio dos seus superiores e o reconhecimento institucional, incluindo referências públicas do Vaticano e encontros com o Papa Francisco, a quem chegou a pedir a bênção dos seus auscultadores.

Entre atuações noturnas e missas celebradas poucas horas depois, como aconteceu no México, o padre Guilherme continua a cruzar dois mundos aparentemente opostos, mas que, na sua perspetiva, fazem parte do mesmo propósito: aproximar os jovens da fé através da linguagem universal da música.

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