Um dia depois de ter estabelecido um princípio de acordo para uma coligação com a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon tendo em vista as eleições legislativas de junho, o Partido Socialista francês está a ser abalado por um terramoto.
De acordo com o El País, o problema incide no facto de que o acordo supõe “não respeitar certas regras da União Europeia” nas vertentes social, económica e orçamental, uma ideia que não é fácil de assimilar para o Partido Socialista, conhecido como europeísta.
É que se o eurocético Mélenchon concretizar o seu objetivo de ganhar as legislativas, derrotando o Em Marcha! de Emmanuel Macron – que detém a maioria no parlamento francês – e assumir o cargo de primeiro-ministro, França pode juntar-se a países como a Hungria e a Polónia, que têm gerado tensão no seio do projeto europeu.
A coligação desenhada por Mélenchon já contava com os Verdes e o Partido Comunista francês. As negociações com os socialistas foram mais difíceis e o grande obstáculo foram as diferenças do Partido Socialista e da França Insubmissa relativamente à política europeia. Na realidade a discussão centrou-se numa palavra: desobediência, uma palavra fundamental no vocabulário de Mélenchon quando se refere à União Europeia.
A solução passou por forjar uma fórmula que permitisse aos socialistas evitarem usar o termo desobediência, embora acabem por dizer algo semelhante.
“Pelas nossas histórias, alguns de nós falam em desobedecer, outros vão derrogar de forma transitória, mas apontamos ao mesmo objetivo: ser capazes de aplicar plenamente o programa compartilhado do governo e respeitar assim o mandato que nos terão dado os franceses”, pode ler-se no comunicado conjunto da França Insubmissa e do Partido Socialista francês.
“Colocar em prática o nosso programa compartilhado vai conduzir necessariamente a tensões, a constatar contradições. Será necessário superar estes bloqueios e estar dispostos a não respeitar certas regras enquanto trabalhamos para transformá-las”, aponta o comunicado.
O princípio de acordo será votado esta quinta-feira no Conselho Nacional do Partido Socialista.













