Pacote de recuperação do coronavírus mais ecológico do mundo está a chegar à Europa

A União Europeia está pronta para anunciar o pacote de recuperação “mais verde do mundo” na próxima semana, enquanto tenta conter a poluição e salvar a economia da pandemia do coronavírus.

A presidente da Comissão Europeia , Ursula Von Den Leyen, pretende transformar a sua estratégia ‘Green Deal’ para alcançar zero emissões de gases de efeito estufa até 2050, num plano de resgate económico do coronavírus que rapidamente impulsionará o investimento privado e criará empregos em todo o Velho Continente, de acordo com um documento preliminar com detalhes da proposta a que a Bloomberg teve acesso.

O plano faz parte do pacote que o Executivo da UE divulgará no próximo dia 27 de maio como resposta, financiada em conjunto, à recessão induzida pela pandemia da covid-19. O pacote incluirá uma proposta para o próximo orçamento de 1 bilião de euros da UE para o ano de 2021-2027 e um “instrumento de recuperação” de pelo menos 500 mil milhões projetado especificamente para amortecer o golpe económico do surto.

“Essas somas superariam qualquer anúncio de estímulo verde até o momento e sinalizariam que a UE realmente deseja alinhar a sua estratégia de recuperação económica com o ‘Green Deal'”, sublinhou Victoria Cuming, chefe de política global da Bloomberg.

Para onde vai apontar a ‘bazuca’ verde?

No documento preliminar, de entre as propostas selecionadas, ainda sujeitas a alterações, destacam-se 60 mil milhões de de euros a 80 mil milhões para aumentar as vendas de veículos elétricos e duplicar o investimento em redes de recarga, estando em aberto a opção de isentar de IVA os veículos elétricos; 91 mil milhões de euros por ano em subsídios e garantias para a vedação de prédios danificados – incluindo planos para oferecer aos compradores de imóveis hipotecas verdes; 10 mil milhões de euros para alavancar financiamento para 7,5 gigawatts de novos projetos de energia renovável nos próximos 2 anos; 10 mil milhões de euros por ano num fundo administrado pelo Banco Europeu de Investimento para impulsionar as energias renováveis ​​e a infraestrutura de hidrogénio; até 30 mil milhões de euros do atual Fundo de Inovação da UE para o desenvolvimento de hidrogénio verde que pode reduzir as emissões em algumas das indústrias mais difíceis de combater, como a siderurgia e o cimento.

Grande parte deste estímulo pressupõe o envolvimento do setor privado no financiamento ou baseia-se em projetos existentes para acelerar a transição sustentável. Antes da crise, a Comissão calculou que a Europa precisaria de 250 a 300 mil milhões de investimentos por ano para atingir a meta de neutralidade climática.

A proposta a ser apresentada na próxima semana está sujeita à aprovação unânime dos 27 governos da UE, num processo de negociações que se adivinham difíceis e que podem levar meses até serem concluídas.

 

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