Pacientes “desesperam” com a falta de medicamento para controlo da diabetes: farmácias dizem que está esgotado em todo o país

Infarmed salientou ao jornal diário que os “medicamentos não estão notificados pelos laboratórios como estando em rutura”. Visão diferente têm as farmácias: “Há muito pouca quantidade destes medicamentos por semana para o número de pedidos”

Revista de Imprensa
Outubro 4, 2023
8:45

Os pacientes com diabetes “desesperam” com a falta de medicamentos com as substâncias ativas dulaglutido (comercializado com o nome Trulicity) e semaglutido (comercializado como Ozempic) nas farmácias, segundo revelou esta quarta-feira o ‘Jornal de Notícias’: a par do controlo da diabetes são ainda usados para perda de peso, o que tem motivado uma “grande procura internacional e não tem havido capacidade de resposta para repor no mercado as quantidades procuradas”, denunciou a sociedade de endocrinologia.

Nas farmácias, reconhecem, as embalagens para venda não são suficientes para a procura e há estabelecimentos com lista de espera. Pedro Costa, de 47 anos e com diabetes tipo 2, está na lista de espera de quatro farmácias e, devido à indisponibilidade dos medicamentos, já atrasou o tratamento em duas ocasiões. A resposta das farmácias é inquietante: não há disponibilidade do fármaco a nível nacional. “O que me dizem nas farmácias e os médicos é que, como aquilo tem uma substância que ajuda a emagrecer, há malta que compra para isso.”

O Infarmed salientou ao jornal diário que os “medicamentos não estão notificados pelos laboratórios como estando em rutura”. Visão diferente têm as farmácias: “Há muito pouca quantidade destes medicamentos por semana para o número de pedidos”. No caso da farmácia do Lago, no Porto, chegam “duas ou três” embalagens por semana. “São para diabéticos e utilizados para emagrecer. Sendo usados para os dois fins, começa a haver escassez.”

João Jácome de Castro, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, revelou que “tem havido uma enorme procura internacional por estes medicamentos”, não só porque “são eficazes e seguro no controlo da diabetes” como “especialmente o liraglutido e o semaglutido têm estudos muitíssimo importantes na área da perda de peso”. No entanto, defende a sociedade, “deve ser dada prioridade às pessoas que têm diabetes e às que já estão a fazer terapêutica com eles”. “Não tem havido capacidade de resposta para repor no mercado as quantidades que são procuradas”, acusou.

O presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal já solicitou uma reunião ao Infarmed para “tentar encontrar soluções” para as dificuldades dos pacientes – José Manuel Boavida indicou que a reunião foi pedida em janeiro.

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