O aumento histórico do preço do ouro está a atrair criminosos e paramilitares para a mineração ilegal, desde a Amazónia até ao Sudão.
Em Stilfontein, uma pequena cidade sul-africana cercada por minas abandonadas, os habitantes começaram a notar visitantes intimidantes: gangsters armados que chegam por alguns dias e depois desaparecem, como conta o ‘Financial Times’. O objetivo é lucrar com uma economia subterrânea violenta, onde milhares de mineiros informais trabalham em minas desativadas enquanto os criminosos disputam o controlo.
A escalada do preço do ouro, que triplicou na última década e aumentou mais de 25% apenas este ano, tornou a mineração ilegal numa atividade extremamente lucrativa.
Estima-se que a mineração ilegal de ouro valha dezenas de milhares de milhões de dólares por ano. A organização não governamental SwissAid calcula que, em 2022, 435 toneladas de ouro tenham sido contrabandeadas para fora de África — o dobro de há uma década. No Peru, líder na produção de ouro da América do Sul, mais de 40% das exportações em 2022 terão sido ilegais.
Na Amazónia brasileira, o fenómeno dos “narco-miners” intensifica-se. Organizações criminosas que inicialmente se instalaram para o tráfico de cocaína ficaram atraídas pelo ouro. Drogas, armas e segurança são fornecidas por gangues de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo autoridades locais.
A mineração ilegal tem impactos devastadores para as comunidades indígenas. No território Munduruku em Sawré Muybu, a atividade mineira afastou animais, contaminou rios com mercúrio e trouxe doenças, álcool e drogas, revela a mesma fonte.
O ouro ilegal é rapidamente exportado para centros globais de comercialização, como Miami, Mumbai, Hong Kong e os Emirados Árabes Unidos, onde é refinado e reclassificado antes de seguir para outros mercados, incluindo Suíça e Reino Unido.
Em África, o ouro ilegal financia conflitos armados, como no Sudão, onde milícias paramilitares utilizaram os lucros para adquirir armamento e perpetuar a guerra civil, que já fez pelo menos 150 mil mortos.














