“Ou a inflação cai significativamente no curto prazo, ou a atividade económica sofrerá um revés”, alerta consultor da ActivTrades

Depois da forte subida em Wall Street, aquando dos números da inflação no passado dia 10, o mercado tem andado a consolidar, com uma ligeira tendência negativa, mas nada que tenha colocado em causa esses ganhos. Contudo na terça-feira o sentimento mudou, algo foi despoletado que induziu os touros a saírem das tocas e a puxarem pelos índices, mesmo contra alguns indícios de que o sentido deveria ter sido o inverso e na véspera de serem conhecidas as minutas relativas à última reunião da FED, que podem ou não validar a ideia de que o banco central norte-americano irá agora abrandar o ritmo da subida dos juros.

O otimismo foi gerado pelos dados menos bons do Richmond Fed Manufacturing Survey e de algumas notícias empresariais, ignorando por completo o aviso deixado pela Presidente da FED de São Francisco, Mary Daly, que alertou para não se descartar uma subida de 0.75% na próxima reunião, dando mais valor à opinião da Presidente da FED de Cleveland, Loretta Mester, que se mostrou aberta a moderar a subida dos juros. Na prática deveria valer muito pouco, até porque mesmo com uma subida de 0.5% significa que a taxa máxima aumenta para os 4.5%, ficando apenas a duas reuniões da taxa terminal máxima que já foi assumida que é de 5.5%, apesar dos investidores contarem com um limite de apenas 5%, o que seria então apenas mais uma subida em Janeiro de 0.5%.

Contudo, aparentemente o mercado está a deixar passar em branco o ponto mais importante deixado por Jerome Powell na última reunião, que foi a importância de focar o tema no tempo em que os juros irão manter-se elevados e não já na taxa máxima, visto que o espaço para subir encurtou-se rapidamente ao passo que o tempo de duração de um período de condições financeiras muito adversas à economia é que deverá fazer o maior estrago. Resta saber então, qual será esse intervalo de tempo, sendo que ou a inflação cai significativamente no curto prazo, ou a atividade económica sofrerá um revés.

Desde logo porque a almofada que existia de poupança gerada pelas famílias, que atingiu valores inimagináveis no pico da pandemia, está agora reduzida a quase nada, o que retira margem de manobra para suportar o aumento galopante dos preços.

 

Marco Silva
Consultor da ActivTrades

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