Otimismo dos CEOs portugueses recua cerca de 40%. Há mais empresas a pensar em reestruturação

O “CEO Survey da Stanton Chase 2021” referente a Portugal mostra que os líderes portugueses estão desanimados.

Filipa Almeida

O “CEO Survey da Stanton Chase 2021” referente a Portugal mostra que os líderes portugueses estão desanimados. Realizado no passado mês de fevereiro, o inquérito aponta para um recuo de cerca de 40% no otimismo dos CEOs, entre o período de 2015-2018 e o atual período de 2019-2021.

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Segundo a Stanton Chase, o impacto da pandemia poderá explicar os últimos dois anos em análise, mas não os resultados de 2019, quando o novo coronavírus ainda não era conhecido.

“O CEO Survey 2021 da Stanton Chase Portugal revela que os executivos portugueses apresentam um nível de expetativas sobre a evolução da economia e dos negócios das suas empresas muito similar a 2020 e 2019. Embora positivos, os resultados estão claramente abaixo do período de 2015 a 2018”, aponta a consultora. Depois de um período de expetativas elevadas, o cenário tem sido de desencantamento desde 2019.

O mesmo inquérito, que contou com a participação de perto de 200 CEOs, general managers e country managers, aponta também para um ligeiro acréscimo face ao ano de 2020 das expetativas para os próximos dois anos no que se refere à evolução da economia portuguesa (de 61 para 66%) e da evolução do respetivo setor (de 70 para 74%).

Quanto à evolução dos negócios da própria empresa, o sentimento é outro: as respostas dos inquiridos evidenciam uma descida de 75 para 73%.

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Os programas de vacinação contra a Covid-19 (82%), os pacotes financeiros de recuperação vindos da União Europeia (68%) e a rápida retoma da procura nas economias mais afetadas pela pandemia (58%) são apontados como os três fatores internacionais que mais poderão ajudar a economia portuguesa.

Já no que concerne os planos traçados para os negócios das empresas para 2021, os inquiridos revelam menor ambição do que nos anos anteriores. As expetativas de expansão, por exemplo, caiem de 57 para 43% e o mesmo acontece com a internacionalização, que desce de 20 para 18%.

Por outro lado, sobe a manutenção de 22 para 30%. Os planos de reestruturação/downsizing, que podem envolver despedimentos, por exemplo, também duplicam de 7 para 15%.

Falta talento?

O “CEO Survey da Stanton Chase 2021” mostra ainda que, ao nível da gestão de pessoas, os principais desafios estão em linha com os anos anteriores, não se verificando um impacto significativo da pandemia neste âmbito. O recrutamento do talento adequado (53%), o incentivo à motivação e compromisso dos colaboradores (35%) e a retenção de pessoas-chave (27%) são as dificuldades mais mencionadas.

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Os inquiridos sublinham também que as competências a desenvolver centram-se na adaptação à mudança, criatividade e inovação (50%), no aumento das aptidões relacionais (48%) e nas competências de liderança (44%).

“Face a 2019, realça-se a subida de 6 pontos percentuais das competências relacionais (soft skills) e a descida de 8 pontos percentuais das competências de liderança”, indica a Stanton Chase.

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