O otimismo das empresas norte-americanas que operam na China recuperou acentuadamente após quatro anos consecutivos de mínimos, embora analistas alertem que a crescente concorrência local continuará a tornar o mercado chinês mais difícil.
Segundo a edição mais recente do relatório empresarial anual da Câmara de Comércio Americana em Xangai (AmCham Shanghai), baseado num inquérito a 262 membros, 58% das empresas estão otimistas quanto às perspetivas de negócio na China nos próximos cinco anos.
O valor representa uma subida de 17 pontos percentuais face ao ano passado, quando o indicador atingiu um novo mínimo histórico, num contexto de agravamento da guerra comercial entre Pequim e Washington.
A percentagem de empresas que apontou as relações entre os Estados Unidos e a China como uma das três principais preocupações caiu 13 pontos, para 53%, o valor mais baixo desde 2022.
Pela primeira vez, as relações bilaterais deixaram de liderar a lista de desafios mais citados, ultrapassadas pela concorrência das empresas chinesas, mencionada por 68% dos inquiridos, mais cinco pontos do que no ano anterior.
Quase quatro em cada cinco empresas (78%) registaram lucros em 2025, uma subida de sete pontos percentuais e o valor mais elevado desde 2019, último ano antes da pandemia de covid-19.
A organização empresarial, sediada em Xangai, a “capital” económica da China, destacou ainda que 28% das empresas aumentaram o investimento no país, a maior percentagem dos últimos quatro anos.
A proporção de empresas que desviaram investimentos previstos para a China para outros países caiu para 39%, face ao recorde de 47% registado no ano passado.
O Sudeste Asiático manteve-se como o principal destino desses investimentos, embora a percentagem direcionada para os Estados Unidos tenha aumentado 11 pontos percentuais.
“Os membros [da câmara] notaram os esforços do Governo [chinês] para melhorar o quadro regulatório, e essas melhorias são reforçadas este ano por relações mais sólidas entre os Estados Unidos e a China”, afirmou o presidente da AmCham Shanghai, Jeffrey Lehman.
Lehman apelou a Pequim e Washington para que “continuem a aproveitar o impulso das recentes interações” e consolidem “um quadro estável e transparente que facilite o comércio transfronteiriço e o investimento”.
A consultora Trivium China considerou num relatório que parte das expectativas das empresas norte-americanas está agora depositada no encontro previsto para o final deste mês, em Washington, entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping.
“Um acordo firme para reduzir as tarifas e prolongar [a trégua comercial] para além de novembro reforçaria ainda mais a confiança das empresas, enquanto uma deterioração das relações poderia fazê-la cair novamente de forma rápida”, indicou a consultora.
A Trivium advertiu, porém, que a melhoria do ambiente político não elimina as dificuldades colocadas pela crescente competitividade das empresas chinesas.
“Uma concorrência local cada vez mais intensa significa que a China continuará a ser um mercado cada vez mais difícil, mesmo que a situação política melhore”, acrescentou.














