Osteopata e sem licenciatura: Filha de deputado do PSD nomeada para adjunta de secretaria de Estado gera polémica

A decisão foi oficializada após a remodelação governamental promovida pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, tendo a nova equipa tomado posse a 13 de fevereiro.

Executive Digest
Março 14, 2025
15:53

A nomeação de Maria Helena Barata Cardoso Moreira, de 27 anos, para o cargo de adjunta do gabinete da secretaria de Estado adjunta e da Igualdade, Carla Maria de Pinho Rodrigues, tem gerado debate devido às suas ligações familiares ao Partido Social Democrata (PSD) e à sua formação académica. A decisão foi oficializada após a remodelação governamental promovida pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, tendo a nova equipa tomado posse a 13 de fevereiro.

Entre os dois adjuntos escolhidos para o gabinete da secretária de Estado, destaca-se Maria Helena Moreira, filha de Almiro Moreira, deputado do PSD eleito pelo círculo de Aveiro. A sua entrada no cenário político ocorreu através do parlamento, onde foi nomeada em 1 de julho de 2024 como assessora do grupo parlamentar do PSD sob a liderança de Hugo Soares. Coincidentemente, o seu pai, Almiro Moreira, desempenha funções de secretário no mesmo grupo parlamentar, segundo adianta a RTP.

Perante as suspeitas de nepotismo, Almiro Moreira negou qualquer envolvimento na nomeação da filha e responsabilizou Hugo Soares pela decisão. “O líder parlamentar conheceu Maria Moreira na ‘volta’ nacional das eleições legislativas [de 2024], onde se revelou uma das líderes organizativas do movimento de jovens, sendo uma operacional extraordinária”, justificou ao canal público.

Outro ponto que tem suscitado críticas é a formação académica de Maria Moreira. Segundo a nota curricular publicada no despacho de nomeação — um documento legalmente obrigatório —, a nova adjunta não possui licenciatura. No entanto, está atualmente a frequentar o primeiro ano da licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Aberta.

Até ao momento da sua nomeação, Maria Moreira exercia atividade profissional como osteopata. Possui cédula profissional após ter frequentado durante um ano a Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa (ESSCVP).

Em resposta às críticas, o Ministério da Juventude e Modernização elogiou as competências da nova adjunta, destacando o seu “dinamismo, capacidade de trabalho e experiência nas áreas cívica, política e associativa” como qualidades relevantes para o desempenho da função.

A polémica será abordada esta sexta-feira no programa “A Prova dos Factos”, emitido na RTP após o Telejornal, onde serão analisados os detalhes da nomeação e as eventuais implicações políticas do caso.

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