Os últimos 59 minutos da humanidade em caso de conflito nuclear: Possibilidade de acontecer por engano é mais alta do que parece, revela especialista

“O presidente dos Estados Unidos não pede a permissão de ninguém. Ele não pede permissão ao secretário de Defesa ou ao Congresso. Entrevistei dois ex-secretários de Defesa que me deram detalhes muito específicos sobre como a cena se poderia desenvolver. Os dois deixaram claro que, se necessário, o presidente toma a decisão sozinha”, apontou Annie Jacobsen, autora do livro “Nuclear War: A Scenario”

Francisco Laranjeira

Centenas de mísseis a voar nos céus a partir de silos e submarinos nucleares; cidades americanas em chamas e milhões de pessoas vaporizadas instantaneamente; outros milhões morrerão em breve em agonia devido a queimaduras e envenenamento por radiação. Este cenário apocalítico é descrito no mais recente livro “Nuclear War: A Scenario”, da jornalista de investigação indicada ao Pulitzer, Annie Jacobsen.

A crónica detalhada do apocalipse da autora foi revivida numa entrevista ao jornal espanhol ‘El Confidencial’, que colocou o ónus do ataque nos ombros de uma única pessoa. “Depende de uma única pessoa. Tudo é decidido sob o conceito de autoridade presidencial exclusiva. Agora, a autoridade é Donald Trump. Este é um dos factos mais chocantes durante a investigação. A ideia de que a destruição de todo o mundo está disponível para uma única pessoa”, referiu Annie Jacobsen.

“O presidente dos Estados Unidos não pede a permissão de ninguém. Ele não pede permissão ao secretário de Defesa ou ao Congresso. Entrevistei dois ex-secretários de Defesa que me deram detalhes muito específicos sobre como a cena se poderia desenvolver. Os dois deixaram claro que, se necessário, o presidente toma a decisão sozinha”, apontou.

A autora faz referência na obra a um ‘livro preto’, o “nome poético do manual de decisão”. “É chamado de ‘Black Book’ porque, como foi mencionado por um engenheiro de armas nucleares de Los Alamos, é o catálogo da morte. É um conjunto de documentos que lista as opções do presidente para lançar um ataque nuclear. Lista os objetivos dos países e sugere quais os sistemas de armas nucleares o presidente deve usar para atacá-los. Também inclui estimativas sobre o número de mortos”, frisou a autora, garantindo que é “material altamente classificado. Não é permitido revelar ou discutir qualquer detalhe”.

E a população, quais os planos nas autoridades americanas? Para a autora americana, esta é parte “mais chocante para mim”. “Nos cenários de guerra nuclear, a FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências) não tem planos de proteção populacional ou em cidades como Nova Iorque ou em áreas rurais como Idaho, porque todos estariam mortos”, salientou Annie Jacobsen.

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E o resto do mundo, como seria? “Entrevistei Brian Toon, um dos cinco autores originais da teoria do inverno nuclear. Segundo o especialista, cinco mil milhões de pessoas morreriam. Haveria pequenas áreas onde manter a vida e a agricultura para sobreviver em áreas da Austrália, Nova Zelândia e talvez no extremo sul da América do Sul”.

E para quem sobreviver aos impactos iniciais de um conflito nuclear, espera-o uma morte muito pior, uma ideia expressa por Nikita Khrushchev. “Numa carta a Jackie Kennedy, ele respondeu: ‘Depois de uma guerra nuclear, os sobreviventes invejam os mortos’.”

O livro terminou com um mundo imaginado pela autora dentro de 24 mil anos. “Uma das razões pelas quais escolhi esse conceito tem a ver com uma ideia de que Einstein expressou um pouco depois da II Guerra Mundial. Eles perguntaram-lhe com que armas se travará a III Guerra Mundial. A única coisa certa, respondeu, é que a quarta guerra mundial lutaria com paus e pedras. A ideia é que a nossa capacidade tecnológica e científica possa devolver-nos ao estágio dos caçadores-coletores, como há 12 mil anos. E essa involução é desencadeada em questão de minutos ou segundos”.

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