A associação ambientalista Zero lamentou as declarações do secretário de Estado adjunto e das Comunicações que, num artigo de opinião publicado no jornal “Público”, se refere às organizações ambientais e sai em defesa do aeroporto do Montijo. E deixou o recado: «A pressa causa erros que vão perdurar 40 anos, no Montijo e em Lisboa, com prejuízos graves para a saúde pública e que não se vê forma de ultrapassar».
Em declarações à “Sábado”, Francisco Ferreira, presidente da Zero, considerou que um governante devia encarar os especialistas «com credibilidade científica» e «maior seriedade e não de forma jocosa como o faz».
Na edição desta terça-feira do jornal “Público”, o secretário de Estado adjunto e das Comunicações escreve que «não há aeroportos sem impactos (…). Os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem. E este postulado arriscado é tão cientificamente sólido como o seu contrário: o de que eles não vão encontrar paragens estalajadeiras, como no Mouchão. Ciência sem dados comprovados não é ciência».
No mesmo artigo, Alberto Souto de Miranda lança farpas aos «estrénuos protetores das espécies, de matriz radical e insensata, como os que lembram a velocidade de locomoção dos caranguejos: um dos riscos do projeto é o da mortandade provável dos ditos que, porque lentos, talvez não consigam fugir a tempo das máquinas». O governante acrescentou ainda que «os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem».
Souto de Miranda aponta que a «viabilidade ambiental» do aeroporto do Montijo foi reconhecida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Já a Zero considera que a legislação de avaliação de impacte ambiental «desresponsabiliza os políticos ao colocar na Agência Portuguesa do Ambiente, leia-se, na administração subordinada ao poder político, uma decisão obviamente condicionada por uma clara intenção deste governo em construir um novo aeroporto no Montijo».
«Quando o artigo menciona as emissões associadas ao novo aeroporto, talvez fosse um bom princípio conhecê-las, dado que o estudo que foi considerado conforme, tem contas que, ou estão mal feitas (para aterragem, rolagem e descolagem) ou nem foram efectuadas (voos associados), facto que não foi desmentido pela APA na declaração de impacte ambiental», aponta a Zero, acrescentando que «há razões legais que na opinião da Zero e de outras associações deveriam ter proporcionado uma avaliação ambiental estratégica e a salvaguarda dos requisitos da Diretiva Europeia que protege uma das dez zonas húmidas mais importantes da Europa, o Estuário do Tejo».
Francisco Ferreira lamenta ainda que o artigo transpareça «claramente um ‘negacionismo climático’ no Governo que pensávamos ausente».




