A poluição do ar atingiu níveis insalubres em todo o mundo em 2021, de acordo com um novo relatório da IQAir, empresa que monitoriza a qualidade do ar a nível global, que apontou que a poluição média anual em todos os países, assim como 97% das cidades, excedeu as diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde (OMS) – desenhadas para ajudar os Governos a criar regulamentos para proteger a saúde pública.
Apenas 222 cidades, das 6.475 analisadas, apresentaram uma qualidade média do ar que atendeu aos padrões da OMS. Bangladesh (76,9), Chade (75,9) e Paquistão (66,8) ocupam o pódio dos países com mais poluição do ar, superando as diretrizes em pelo menos 10 vezes. Tajiquistão e Índia fecham o top 5 mundial.
No outro extremo estão os territórios francês da Nova Caledónia (3,8), assim como Ilhas Virgens Americanas (4,5) e Porto Rico (4,8). Cabo Verde é o primeiro país da lista, seguido de Saba (ilha do Caribe dos Países Baixos) e Finlândia.
Portugal surge no top 20 dos melhores: representado em 104º posto (entre 117 países), com 7,1 pontos, já a capital Lisboa fixou-se no 90º lugar (em 107 capitais), com 8,2 pontos.
“Este relatório ressaltou a necessidade de Governos de todo o mundo ajudarem a reduzir a poluição global do ar”, alertou Glory Dolphin Hammes, CEO da IQAir North America, à ‘CNN’. “(As partículas finas) matam muitas pessoas todos os anos e os Governos precisam de estabelecer padrões nacionais de qualidade do ar mais rigorosos e explorar melhores políticas externas que promovam uma melhor qualidade do ar.” A IQAir analisou estações de monitorização de poluição em 6.475 cidades em 117 países, regiões e territórios.
Este é o primeiro grande relatório global de qualidade do ar baseado nas novas diretrizes anuais de poluição do ar da OMS, atualizadas em setembro de 2021 – as novas diretrizes reduziram pela metade a concentração aceitável de partículas finas – ou PM 2,5 – de 10 para 5 microgramas por metro cúbico. O PM 2,5 é o menor poluente mas também um dos mais perigosos. Quando inalado, viaja profundamente no tecido pulmonar, onde pode entrar na corrente sanguínea. Tem por fontes a queima de combustíveis fósseis, tempestades de poeira e incêndios florestais, e é frequentemente associado a uma série de ameaças à saúde, incluindo asma, doenças cardíacas e outras doenças respiratórias.
Há milhões de pessoas que morrem por ano devido a problemas de qualidade do ar – em 2016, cerca de 4,2 milhões de mortes prematuras foram associadas ao material particulado fino, segundo a OMS. Se as diretrizes de 2021 tivessem sido aplicadas naquele ano, a OMS estimou que poderiam ter ocorrido quase 3,3 milhões de mortes a menos relacionadas com a poluição.
O relatório também alertou que a floresta amazónica, que atuou como a maior defensora do mundo contra a crise climática, emitiu mais dióxido de carbono do que absorveu no ano passado – o desmatamento e os incêndios florestais ameaçaram o ecossistema crítico, poluíram o ar e contribuíram para as mudanças climáticas. “Isso tudo faz parte da fórmula que vai conduzir, ou está já a conduzir, ao aquecimento global”, revelou Hammes.













