“Os outros prejudicados das greves”

Por Ricardo Florêncio

Refaço esta nota, tendo por base as imagens que foram sendo emitidas durante o fim de semana sobre o caos no Aeroporto de Lisboa. Foi tudo contra aquilo que se vem transmitindo como essencial nos tempos que correm. Grandes ajuntamentos, pessoas próximas sem máscaras, etc. Mas, vamos às causas. Nos actuais tempos, o Turismo está em baixo e muitas empresas estão a atravessar períodos difíceis, sendo que a TAP e a Groundforce se inserem neste grupo. Pelas informações que vamos tendo, os trabalhadores da Groundforce têm todas as razões e motivos para estarem revoltados e preocupados. Salários e subsídios várias vezes recebidos em atraso, e a incerteza se no fim do mês não volta a acontecer a mesma situação, leva as pessoas a situações de desespero. É um caso de problema entres trabalhadores e empresa, e uma guerra entre accionistas, o que torna a situação explosiva. E a forma encontrada foi realizar uma greve que resultou em mais de 600 voos cancelados durante este fim-de-semana. Assim reafirmo que têm todo o direito de reclamarem e protestarem contra a situação actual. Contudo, aqui entra uma terceira parte da equação que nada tem a ver com a situação criada, e que são os grandes prejudicados. Os passageiros, aqueles que têm viagens marcadas, e que de um momento para o outro ficaram sem soluções. Assistimos durante o fim-de- -semana a testemunhos de situações dramáticas, de quem de um momento para o outro ficou com a vida revirada. Ou seja, e mais uma vez como acontece em várias outras situações, os mais prejudicados são figurantes nesta peça, impotentes e sem qualquer tipo de intervenção ou responsabilidades. Não é caso único mas, sim, uma repetição de histórias já conhecidas. Terão de ser encontradas outras formas de se demonstrar o desagrado, protestar, reclamar, sem que sejam colocados em causa direitos de terceiros, que nada têm a ver com as querelas em causa.

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 184 de Julho de 2021


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