Os números negros das estradas portuguesas ajudam a perceber a dimensão da sinistralidade e dos comportamentos de risco que continuam a marcar o país: 29.278 acidentes, 44 mortos, 9.095 feridos e mais de cinco mil excessos de álcool ao volante em apenas seis meses.
Os dados são da Polícia de Segurança Pública (PSP) e dizem respeito ao primeiro semestre de 2026, revelando ainda que quase três mil condutores foram detidos por condução em estado de embriaguez.
Entre 1 de janeiro e 30 de junho, a PSP realizou 10.318 operações de prevenção e fiscalização rodoviária, nas quais foram fiscalizados 346.345 condutores e realizados 100.699 testes de despistagem de álcool.
No total, foram detetados 5.048 excessos de álcool no exercício da condução, o equivalente a uma média de cerca de 28 casos por dia.
Destes, 2.981 resultaram em detenções por condução de veículo em estado de embriaguez, enquanto outros 2.067 corresponderam a infrações contraordenacionais por condução sob influência do álcool.
Mais de 111 mil contraordenações e 6.237 crimes rodoviários
Os números da fiscalização vão bastante além do consumo de álcool. Durante os primeiros seis meses do ano, a PSP detetou um total de 111.480 contraordenações rodoviárias e 6.237 crimes rodoviários.
A força de segurança sublinha que tem concentrado especial atenção nas infrações e nos comportamentos que potenciam a sinistralidade, alertando particularmente para os riscos associados à combinação entre álcool e condução.
Segundo recorda a PSP, com uma taxa de álcool no sangue de 0,5 g/l, o risco de sofrer um acidente grave ou mortal duplica.
O álcool pode ainda estreitar o campo visual, originando a denominada “visão em túnel”, atrasar a capacidade de decisão e reação e provocar descoordenação dos movimentos. Estados de euforia e desinibição podem igualmente levar os condutores a assumir comportamentos de maior risco.
29.278 acidentes deixaram 44 mortos
Os dados provisórios da sinistralidade rodoviária sob responsabilidade da PSP mostram que, entre janeiro e junho, foram registados 29.278 acidentes.
Destes acidentes resultaram 44 vítimas mortais e 9.095 feridos, dos quais 378 ficaram gravemente feridos e 8.717 sofreram ferimentos ligeiros.
Lisboa concentrou o maior número de vítimas mortais, com 18 mortes, seguindo-se o Porto e a Região Autónoma da Madeira, ambos com seis, Coimbra, com cinco, Santarém, com três, Braga, Setúbal e a Região Autónoma dos Açores, com duas mortes cada.
Também no número de acidentes Lisboa surge destacada, com 8.313 ocorrências durante o semestre. Seguem-se o Porto, com 5.982, e a Região Autónoma dos Açores, com 1.876.
A PSP ressalva que estes dados de sinistralidade são ainda provisórios e se encontram em consolidação.
PSP pede “condução responsável e segura”
A PSP considera que o número de infrações detetadas resulta também do reforço e intensificação das operações de prevenção e fiscalização rodoviária realizadas em território nacional.
A estratégia passa, segundo a força de segurança, por privilegiar inicialmente a sensibilização e a prevenção, seguindo-se a fiscalização enquanto instrumento dissuasor e de combate aos comportamentos de risco e às práticas ilícitas.
Perante os números agora divulgados, a PSP volta a aconselhar os automobilistas a não ingerirem bebidas alcoólicas quando vão conduzir e pede a colaboração dos cidadãos para reduzir a sinistralidade e o número de vítimas nas estradas portuguesas.
“A segurança rodoviária é uma responsabilidade de todos e exige um combate partilhado por todos. Só com uma condução responsável e segura por parte de todos os utilizadores das rodovias será possível diminuir a sinistralidade”, conclui a PSP.


















