Os momentos em que Ferro Rodrigues foi igual a Ventura e usou a palavra «vergonha»

Começaram a circular vídeos nas redes sociais em que Ferro Rodrigues, enquanto líder parlamentar do PS, utiliza as expressões «vergonha» e «vergonhoso» para dirigir-se ao então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Ana Rita Rebelo

Continua a polémica entre André Ventura e Eduardo Ferro Rodrigues. Depois do cartaz colocado pelo Chega à porta da Assembleia da República, começaram a circular vídeos nas redes sociais em que Ferro Rodrigues, enquanto líder parlamentar do PS, utiliza as expressões «vergonha» e «vergonhoso» para dirigir-se ao então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Estas citações são também confirmadas em artigos de jornais e de reportagens televisivas. «Numa fase da sua intervenção em que defendia a existência de um aumento das desigualdades sociais nos últimos três anos e em que se insurgia contra os cortes nas prestações sociais, o líder parlamentar do PS disse: ‘É uma vergonha tantas famílias viveram numa situação de miséria e terem ficado sem direitos em matéria de rendimento social de inserção, muitas vezes por problemas burocráticos e de incapacidade de responder atempadamente a determinadas solicitações do sistema’.», dava conta a “SIC Notícias”, em Março de 2015. Meses mais tarde, em Maio, o “Observador” escrevia: «No debate quinzenal, Ferro Rodrigues acusou o Governo de ‘eleitoralismo’ por estar a preparar uma rotação diplomática a meses das eleições legislativas. ‘É uma vergonha’, acusou», escrevia o “Observador”, em Maio de 2015.

O diferendo entre Ventura e Ferro Rodrigues já originou uma petição online para destituir o presidente da Assembleia da República (AR) «por ter censurado a palavra ‘vergonha’» a André Ventura. Até ao momento, tem 31 672 mil assinaturas.

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Esta alegada censura refere-se ao episódio da passada quinta-feira, 12, em que o presidente da AR «puxou as orelhas» a André Ventura. Ferro Rodrigues acusou o dirigente do Chega de ofender o Parlamento por recorrer com «demasiada facilidades» às palavras «vergonha» e vergonhoso» nas suas intervenções durante os plenários. Ventura intervia no debate sobre a remoção de amianto de edifícios públicos e terminou o discurso com críticas ao Executivo por ter verbas para subvenções vitalícias, mas não as despender para a remoção daquele material cancerígeno.

O deputado não gostou da reprimenda e pediu a palavra em «defesa da honra», argumentando que um deputado tem liberdade para intervir. Mas Ferro contrapôs: «Não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade de expressão dos outros, que é o que faz a maior das vezes em que intervém».

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