“Os investidores estão a reagir tarde demais”: Especialista deixa alerta sobre petróleo e mercados

A incerteza geopolítica voltou a dominar os mercados internacionais nas últimas semanas, impulsionada pelo conflito no Irão e pelas perturbações significativas no fornecimento global de energia.

André Manuel Mendes

A incerteza geopolítica voltou a dominar os mercados internacionais nas últimas semanas, impulsionada pelo conflito no Irão e pelas perturbações significativas no fornecimento global de energia. Ainda assim, para Johanna Kyrklund, Group Chief Investment Officer da Schroders, os investidores devem evitar reagir impulsivamente às manchetes do momento e concentrar-se antes na resiliência das suas carteiras.

Na análise “Geopolitical risk can’t be forecast but investors can control their instincts”, a responsável defende que o risco geopolítico é “quase impossível” de prever de forma consistente e que tentar negociar com base nas notícias pode significar chegar demasiado tarde às movimentações do mercado.

Como exemplo, Johanna Kyrklund destaca que investidores particulares aplicaram um valor recorde de 211 milhões de dólares em ETFs ligados ao petróleo a 12 de março, numa altura em que os preços da energia já tinham disparado 40%.

Perante este cenário, a gestora considera que a abordagem mais eficaz passa por mudar a forma como se olha para o risco. Em vez de tentar antecipar “o que vai acontecer a seguir”, os investidores devem questionar-se sobre o comportamento das suas carteiras em diferentes cenários possíveis.

A especialista sublinha ainda a importância de analisar os efeitos de segunda e terceira ordem dos conflitos geopolíticos, sobretudo ao nível das matérias-primas e do impacto que estas podem ter no crescimento económico e nas taxas de juro.

Continue a ler após a publicidade

Segundo Johanna Kyrklund, a invasão da Ucrânia em 2022 teve um impacto profundo nos mercados porque agravou a inflação pós-pandemia e provocou uma mudança abrupta nas taxas de juro. Atualmente, embora considere que o risco inflacionista continua subvalorizado, lembra que as taxas de juro já se encontram em níveis significativamente superiores aos de então, reduzindo o risco de um novo choque nas taxas, mas aumentando potencialmente os riscos para o crescimento económico caso as perturbações energéticas se agravem.

A responsável nota também que os mercados aparentam alguma complacência, apesar do contexto de elevada tensão geopolítica. As expectativas de inflação pouco se alteraram, as bolsas continuam a subir e os mercados petrolíferos parecem assumir que qualquer interrupção no fornecimento será temporária.

Ainda assim, defende que existem oportunidades para identificar posições com retornos assimétricos, capazes de beneficiar tanto de um cenário mais benigno como da persistência das tensões geopolíticas.

Continue a ler após a publicidade

Entre os exemplos apontados está o mercado acionista norte-americano, que beneficia da forte exposição às tecnológicas e da menor dependência energética externa dos Estados Unidos. Já os mercados de dívida pública europeia poderão beneficiar de uma reavaliação do risco inflacionista caso a situação no Médio Oriente estabilize, mas também poderão valorizar se os preços elevados da energia começarem a ameaçar o crescimento económico.

Para a gestora da Schroders, a prioridade dos investidores deve passar menos por tentar prever cada desenvolvimento político e mais por construir carteiras diversificadas e resilientes, preparadas para diferentes cenários económicos e geopolíticos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.