Quase 90% da população mundial mostra-se preconceituosa em relação às mulheres, de acordo com um novo índice sobre a reacção global à igualdade de género, citado pelo ‘The Guardian’.
O primeiro índice de regras sociais de género analisou dados de 75 países, dos quais Portugal não faz parte, que colectivamente englobam mais de 80% da população mundial. Os resultados mostram que quase metade das pessoas sente que os homens são líderes políticos superiores relativamente às mulheres e mais de 40% acredita que os homens são melhores na área de negócios.
O estudo revela ainda que 91% dos homens e 86% das mulheres, são preconceituosas em relação a mulheres na política, economia ou educação. E quase um terço dos homens e mulheres inquiridos considera aceitável que um homem bata na sua esposa.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que publicou as suas conclusões a este estudo esta quinta-feira, está a solicitar aos governos que introduzam legislação e políticas que abordem os preconceitos enraizados.
«Todos sabemos que vivemos num mundo dominado por homens, no entanto, com este relatório é possível colocar números atrás desses preconceitos», disse Pedro Conceição, director do escritório de relatórios de desenvolvimento humano do PNUD. «Considero que os números são chocantes», refere citado pelo ‘The Guardian’.
«O que o relatório mostra é um padrão que se repete vezes sem conta. Existe um grande progresso em áreas mais básicas de participação, mas quando chegamos a campos que representam um maior poder, parece que estamos a bater contra a parede», defende Pedro Conceição.
Conceição acrescenta ainda que «Se fizermos uma média geral dos dados recolhidos, é possível verificar que (…) em vez de os preconceitos diminuírem, só estão a aumentar».
Para além dos 75 países estudados, a informação tem ainda por base dois conjuntos de dados de cerca de 100 países, recolhidos pela Pesquisa de Valores Mundiais, que analisa as mudanças de atitudes e a forma como afectam a vida social e política. Apenas seis, dos 75 países, apresentam maiorias sem preconceitos contras as mulheres.
«O PNUD está consciente da reação contra os direitos das mulheres. Estamos cientes e preocupados, por isso consideramos que o relatório (…) é uma resposta para conter essa reacção», disse Raquel Lagunas, directora interina da equipa do PNUD, citada pelo ‘The Guardian’.
Lagunas referiu que era difícil prever se no futuro os comportamentos iam alterar-se, dependendo muito dos países em questão. «Temos de investir e duplicar esforços para abordar as áreas mais graves do poder – política e economia – esperamos que esta publicação tenha impacto nos países em que trabalhamos [PNUD] e motive conversas abertas nos governos, porque a igualdade de género é uma escolha», afirma citada pelo ‘The Guardian’.





