“Os americanos estão furiosos”: EUA cancelam reunião com Israel após Netanyahu divulgar vídeo em que arrasa Biden

Numa mudança de postura e em desafio a Joe Biden, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou severamente a Administração Biden num vídeo publicado em inglês, alegando que os EUA mantêm restrições à transferência de armas para Israel, apesar de Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, ter prometido levantar os bloqueios. “Não sabemos realmente do que ele está a falar”, reagiu Karine Jean-Pierre, porta-voz da Casa Branca, na terça-feira.

Pedro Gonçalves
Junho 19, 2024
15:24

Numa mudança de postura e em desafio a Joe Biden, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou severamente a Administração Biden num vídeo publicado em inglês, alegando que os EUA mantêm restrições à transferência de armas para Israel, apesar de Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, ter prometido levantar os bloqueios. “Não sabemos realmente do que ele está a falar”, reagiu Karine Jean-Pierre, porta-voz da Casa Branca, na terça-feira.

Horas depois das críticas de Netanyahu, foi cancelada uma reunião com responsáveis israelitas, que já estavam a caminho de Washington, sobre o programa nuclear iraniano. “Esta decisão deixa claro que há consequências para este tipo de manobras,” disse um funcionário dos EUA ao site Axios. Um alto funcionário israelita acrescentou que “os americanos estão furiosos. O vídeo de Bibi [Netanyahu] causou muitos danos.”

Jean-Pierre relembrou que apenas uma entrega de armamento foi adiada desde o início da atual guerra na Faixa de Gaza, após o ataque do Hamas a 7 de outubro. Segundo o jornal The Wall Street Journal, a Administração Biden está a atrasar a venda de 50 aviões F-15 a Israel, um negócio avaliado em 18 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros). O Departamento de Estado afirmou que o envio dos F-15 está a ser “analisado tacticamente,” negando uma decisão de abrandar as transferências de armamento.

O Pentágono confirmou a suspensão de um carregamento de munições de calibre elevado para evitar o uso em Rafah, enquanto Biden tentava evitar uma incursão terrestre israelita na cidade do sul de Gaza, onde estavam concentrados 1,4 milhões de deslocados.

Os conselheiros de Biden não reagiram bem às críticas de Netanyahu. Citando Winston Churchill, Netanyahu afirmou: “Dêem-nos as ferramentas, nós faremos o trabalho.” Acrescentou que “Israel, o aliado mais próximo da América, luta pela sua vida,” considerando “inconcebível que, nos últimos meses, a Administração tenha estado a reter armas e munições.”

O timing do vídeo permitiu à Casa Branca enviar uma mensagem a Netanyahu, expressando o “choque com a ingratidão” do primeiro-ministro, segundo um funcionário dos EUA ao Axios. Amos Hochstein, enviado de Biden, que estava previsto encontrar-se com Netanyahu, disse que as acusações eram “imprecisas e despropositadas.”

As conversações canceladas ou adiadas seriam as primeiras de alto nível sobre a ameaça nuclear iraniana desde março de 2023. Entre os responsáveis israelitas a caminho de Washington estavam o ministro dos Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, e o conselheiro de Segurança Nacional de Netanyahu, Tzachi Hanegbi. Este é o segundo cancelamento devido às tensões entre a Administração Biden e o Governo de Israel; o primeiro ocorreu em março, quando Netanyahu cancelou uma viagem para discutir planos de operação em Rafah.

As críticas de Netanyahu foram interpretadas pela imprensa israelita como uma tentativa de aumentar a pressão sobre a Casa Branca antes da sua visita a Washington, marcada para 24 de julho, onde Netanyahu fará um discurso numa sessão conjunta do Congresso dos EUA. Membros do Partido Democrata planeiam boicotar o discurso em protesto pela condução de Israel na guerra em Gaza.

Netanyahu enfrenta críticas em Israel pela sua posição desafiante em relação a Biden, que pode comprometer o apoio crucial dos EUA. No entanto, parece que esta abordagem faz parte da sua estratégia de sobrevivência política.

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