Comprar casa é, para muitas famílias, a decisão financeira mais importante das suas vidas, sendo que, na maioria dos casos, depende da obtenção de um crédito habitação. Mas conseguir a aprovação do financiamento é apenas uma parte do processo. Há decisões prévias à contratação que, se mal ponderadas, podem custar-lhe milhares de euros ao longo do empréstimo.
Por isso, antes de avançar, saiba como evitar seis erros frequentemente cometidos por quem pede crédito habitação. Um bom planeamento pode fazer toda a diferença na concretização do grande projeto de ter casa própria.
1: Não preparar as finanças antes de pedir o crédito
Muitas pessoas só começam a olhar com atenção para a sua situação financeira quando já encontraram o imóvel que pretendem comprar. No entanto, antes de pré-aprovar o crédito, a instituição financeira analisará vários fatores, como os rendimentos, a taxa de esforço e os créditos já contratados pelos proponentes.
Por isso, é aconselhável que, antes de falar com o banco, faça um balanço das suas contas. Se possível, reduza ou liquide outros créditos e faça uma poupança que permita suportar a entrada e as restantes despesas inerentes à compra. Quanto mais sólida for a sua situação financeira, maiores serão as suas hipóteses de obter boas condições no crédito.
2: Pedir financiamento sem comparar propostas
Aceitar a proposta do banco onde recebe o salário pode parecer a opção mais simples, mas nem sempre é a mais vantajosa. Pequenas diferenças no spread, nos seguros ou nas comissões podem traduzir-se em milhares de euros ao longo do contrato.
Antes de decidir, compare várias propostas, analisando a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) e o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC). Mais do que um spread competitivo, são estes dois indicadores que ajudam a perceber qual o financiamento mais barato. Se necessário, recorra a um intermediário de crédito para encontrar a solução mais adequada ao seu perfil.
3: Escolher apenas com base na prestação mais baixa
Uma prestação mensal reduzida pode ser apelativa, mas não significa necessariamente que esteja a escolher o crédito mais económico. Em muitos casos,
esse valor resulta de um prazo mais longo ou de outras condições que acabam por aumentar o custo total do empréstimo.
Mais uma vez, em vez de olhar apenas para o valor que vai pagar todos os meses, avalie o financiamento como um todo, através da TAEG e do MTIC. O importante é encontrar um equilíbrio entre uma prestação compatível com o seu orçamento e um custo total do crédito o mais reduzido possível.
4: Não verificar se o seguro de vida fica mais barato fora do banco
Ao contratar um crédito habitação, é frequente o banco apresentar uma proposta que inclui os seguros associados ao empréstimo, nomeadamente o seguro de vida. Embora esta solução possa ser conveniente, nem sempre é a mais económica.
Antes de aceitar a proposta, compare o preço e as coberturas com a oferta de outras seguradoras. Em muitos casos, é possível contratar o seguro de vida fora do banco e conseguir uma poupança significativa, mesmo que isso se traduza num agravamento do spread. Faça as contas ao custo global do crédito e confirme qual é a opção mais vantajosa para o seu caso.
5: Avançar sem conhecer todos os custos da compra
Mesmo que recorra ao crédito habitação, há que ter em mente que vai sempre precisar de ter capitais próprios para comprar casa. Além dos impostos, da escritura, dos registos, entre outros encargos, regra geral, os bancos não financiam a compra a 100%. Por isso, a menos que tenha até 35 anos e possa beneficiar da garantia pública, precisará de, pelo menos, 10% a 20% do valor da casa para dar como entrada. Conte ainda com as comissões iniciais do crédito, no valor de algumas centenas de euros.
A melhor forma de evitar surpresas é fazer um orçamento que inclua todos estes custos antes de assumir qualquer compromisso.
6: Não pensar no futuro quando escolhe o crédito
Um crédito habitação é um compromisso que pode durar várias décadas. Por isso, a decisão não deve basear-se apenas na sua situação financeira atual.
Ao escolher o financiamento, tenha em conta que podem surgir mudanças ao longo dos anos, como uma subida das taxas de juro, o aumento das despesas familiares ou alterações na situação profissional. Optar por uma prestação que deixe margem no orçamento e manter um fundo de emergência ajudam a enfrentar eventuais imprevistos com maior tranquilidade.














