Origem da vida na Terra é motivo de amplo debate… mas os polvos podem ter vindo do espaço, aponta estudo

Publicação polémica sustenta que os cometas são responsáveis pela distribuição da vida no Cosmos e os cefalópodes – polvos, lulas ou chocos – chegaram congelados caídos do espaço

Francisco Laranjeira

Um artigo polémico, publicado na revista científica ‘Progress in Biophysics and Molecular Biology’, já revisto por pares, intitulado ‘Cause of the Cambrian Explosion – Terrestrial or Cosmic?’, teve uma conclusão ‘inesperada’: os polvos são do espaço. Edward Steele e Chandra Wickramasinghe, os autores, sustentam que “os cometas são os portadores e distribuidores de vida no Cosmos – e a vida na Terra surgiu e desenvolveu-se como resultado de entradas de cometas”. Essas entradas, segundo explicou Wickramasinghe, não se limitam a uma generosa quantidade de aminoácidos espaciais, incluem também vírus que se inserem em organismos, levando a sua evolução em direções totalmente novas.

O estudo encontrou sustentação em pesquisas existentes para concluir que uma chuva de retrovírus extraterrestre desempenhou um papel fundamental na diversificação da vida nos nossos oceanos há cerca de 500 milhões de anos. No entanto, o argumento mais ‘interessante’, conforme foi recuperado esta quarta-feira pelo ‘Yahoo News’ do artigo original publicado em 2018 mas que ainda hoje faz correr muita tinta, foi a chegada dos cefalópodes – polvos, lulas e outros semelhantes chegaram ao planeta caídos do espaço, congelados.

Foi durante esse período que um grupo de moluscos conhecidos como cefalópodes estendeu os seus tentáculos e encontrou ramificações numa impressionante variedade de tamanhos e formas no que parecia um período de tempo notavelmente curto. A genética desses organismos é tão estranha quanto os próprios animais, em parte devido à sua capacidade de editar o seu ADN em tempo real.

“Assim, a possibilidade de que ovos de lula e/ou polvo criopreservados tenham chegado gelados há várias centenas de milhões de anos não deve ser descartada”, postula o artigo. Os autores do artigo sustentam que o polvo e outros criaturas beneficiam-se de características biológicas que parecem ter sido derivadas de “algum tipo de pré-existência”.

A ideia de que a vida originou-se fora da Terra não é propriamente nova – a teoria da panspermia existe desde a Grécia Antiga.

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Keith Baverstock, investigador médico da Universidade da Finlândia Oriental, reviu o artigo e afirmou que há, de facto, muitas evidências que tornam a tese plausível. Mas, no entanto, não é assim que a ciência avança. como muitas das evidências não são definitivas, esta tese aumenta o mistério em torno da vida.

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