Ordem dos Advogados: Conflito interno ameaça anular mais de 1200 ações disciplinares

Em causa está um recurso interposto pelo bastonário dos Advogados, no qual se opõe à legalidade de um despacho da presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa, pela escolha dos seus vice-presidentes.

Revista de Imprensa
Março 30, 2022
9:08

Um conflito interno na Ordem dos Advogados põe em risco a aplicação de 1228 ações disciplinares, decididas pelo Conselho de Deontologia de Lisboa nos últimos dois anos, avança o ‘Público’.

Segundo a mesma publicação, em causa está um recurso interposto pelo bastonário dos Advogados, Luís Menezes Leitão, no qual se opõe à legalidade de um despacho da presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa, Alexandra Bordalo Gonçalves, pela escolha dos seus vice-presidentes.



Este recurso, interposto em fevereiro de 2020, dá-se na sequência de uma queixa feita pelo número um da lista que o bastonário apresentou ao Conselho de Deontologia de Lisboa (CDL), Paulo Almeida, e que foi derrotado por Alexandra Bordalo Gonçalves.

Na queixa, adianta o jornal, o bastonário afirmou que a presidente do CDL tinha violado os Estatutos da Ordem dos Advogados ao indicar como vice-presidentes os três elementos que lhe seguiam na lista apresentada, em vez de se basear na aplicação do método de Hondt.

Neste método, o próprio deveria ocupar um dos lugares de vice-presidente, o segundo lugar seria ocupado por um membro da lista de Alexandra Bordalo Gonçalves e o terceiro pelo segundo da lista de Paulo Almeida.

Após a queixa, no final de Janeiro de 2021, a 3.ª Secção do Conselho Superior deu razão ao bastonário, considerando assim ilegal o despacho de Alexandra Bordalo Gonçalves. Mas a história não fica por aqui e a guerra continua.

A responsável interpôs no início deste mês um processo cautelar no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, onde pede que se suspenda a decisão de anular o seu despacho

“[A anulação], colocará em causa a legalidade das decisões proferidas desde então e até ao momento, porquanto, tendo sido proferidas por secções constituídas, supostamente ao arrepio da lei, padecerão de vicio que fulmina quanto até agora praticaram”, defende, no processo a que o jornal teve acesso.

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