O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, indicou que pretende lançar uma “petição nacional” à procura de apoio para a sua política de rejeitar o financiamento da UE para a vizinha Ucrânia, que luta contra a invasão russa, indicou esta segunda-feira o jornal ‘Kyiv Post’.
Com a guerra sem dar sinais de acabar e a economia da Hungria estagnada, Orbán apresentou as eleições do próximo abril como uma escolha entre guerra e paz, retratando a Ucrânia como indigna de apoio e o seu Governo como a única salvaguarda contra conflitos e consequências económicas negativas.
Desde o ano passado, os cartazes eleitorais do partido Fidesz de Orbán têm procurado associar o líder da oposição, Peter Magyar, a Bruxelas e à Ucrânia, sugerindo que votar no seu partido, o Tisza, significa votar a favor de tanques e da guerra.
A campanha de Orbán tem como alvo principal os eleitores rurais e ecoa as suas antigas campanhas anti-imigração, já que a maioria das sondagens mostra o Fidesz atrás do Tisza.
Os detalhes da “petição” não estavam claros, mas parecia tratar-se de um referendo informal, na forma de uma cédula enviada aos cidadãos. “Todos receberão esta petição nacional e terão a oportunidade de dizer ‘não’ e de afirmar, juntamente com o Governo, que não pagaremos”, garantiu Orbán, em declarações à rádio estatal na passada sexta-feira, acusando a oposição de ser pró-Ucrânia.
Orbán afirmou, sem apresentar qualquer prova, que a União Europeia pressionaria a Hungria para enviar os seus jovens para lutar na Ucrânia, “e existe um receio justificado de que as forças pró-ucranianas cedam à pressão de Bruxelas”.
A Comissão Europeia apresentou na passada quarta-feira sua proposta de empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia. Em dezembro último, quando o plano foi finalizado, Hungria, Eslováquia e República Checa concordaram, desde que isso não as afetasse financeiramente.
Uma sondagem realizada em dezembro pela Policy Solutions e pela Zavecz Research indicou uma crescente oposição na Hungria ao financiamento da UE para a Ucrânia. Em 2023, 57% eram a favor e 41% contra, mas, no ano passado, apenas 36% eram a favor e 63% contra.




