Oposição cabo-verdiana defende solução na maioria parlamentar após acusação contra PM

 

Executive Digest com Lusa

O Movimento para a Democracia (oposição) considerou hoje que a acusação do Ministério Público contra Francisco Carvalho, por alegados crimes quando presidia à Câmara da Praia, “é incompatível” com as funções de primeiro-ministro, defendendo uma solução na maioria parlamentar.

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“O facto de termos um cidadão, presidente de um partido político, eleito com legitimidade pelo seu partido, com forte suspeita de ter cometido crimes no exercício de cargos públicos e de natureza muito grave, não nos parece compatível com as funções de primeiro-ministro de um país pequeno e vulnerável como Cabo Verde”, afirmou o presidente interino do MpD, Eurico Monteiro.


O responsável falava aos jornalistas na cidade da Praia, após uma reunião pedida ao Presidente da República, José Maria Neves, na qual a delegação do partido apresentou preocupações sobre a situação política.


“É uma batalha legítima de demonstração da sua inocência em sede própria, mas o país não deve ser tocado na sua imagem e credibilidade durante esta fase”, disse, afirmando que, desde o início da democracia do país, não houve situações semelhantes envolvendo membros de um Governo.


Eurico Monteiro defendeu que o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que venceu as eleições legislativas de 17 de maio com maioria absoluta, deve encontrar uma solução no âmbito parlamentar.

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“Nós não podemos pôr em causa as eleições que já foram realizadas e que tiveram o resultado que tiveram”, afirmou.


Questionado sobre se Francisco Carvalho deve demitir-se, o dirigente do MpD considerou que essa decisão corresponde a uma questão “ética e moral” e à defesa dos interesses do país, permitindo a procura de soluções dentro do quadro constitucional.


“As eleições já foram realizadas e os resultados estão claros e nós assumimos plenamente”, declarou.


Acrescentou que a posição de Francisco Carvalho, que garantiu “absoluto respeito pela justiça” e afirmou que responderá “com serenidade, transparência e total confiança de que a verdade prevalecerá”, poderá criar uma situação difícil para o país.


“O principal prejudicado será sempre o país”, afirmou, apontando que a defesa da inocência no processo judicial é legítima, mas apelou para que a situação não afete “a credibilidade dos órgãos da República”.

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Eurico Monteiro disse esperar que o Presidente da República participe na construção de uma solução no quadro da maioria existente, garantindo também que o partido continuará a acompanhar as propostas e soluções que possam ser adotadas, sobretudo no quadro parlamentar.


“O Presidente da República, seguramente, disse-nos que está empenhado em discutir esta matéria, fazer uma ronda pelos diversos partidos políticos e ouvir outras opiniões, para, em consequência disso, fazer recomendações e procurar os arranjos possíveis, porque também reconhecemos que não tem instrumentos efetivos capazes de operar imediatamente qualquer solução”, disse.


A reunião ocorreu um dia depois de o Ministério Público ter deduzido acusação contra Francisco Carvalho e três vereadores por 26 crimes alegadamente praticados durante o período em que presidiu à Câmara Municipal da Praia, entre 2021 e 2025.


A Procuradoria-Geral da República anunciou na terça-feira que o Ministério Público encerrou a instrução no dia 07 de julho, deduziu acusação e requereu julgamento em processo comum ordinário perante o Tribunal da Relação do Sotavento.


Segundo a PGR, estão em causa factos que podem configurar crimes como falsificação de documentos públicos, abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de normas de execução orçamental, atentado contra o Estado de Direito, corrupção passiva, burla qualificada, violação de regras urbanísticas e defraudação de interesses patrimoniais públicos.

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Francisco Carvalho classificou hoje o processo como uma “tentativa de golpe de Estado disfarçado de oposição”, garantindo “absoluto respeito pela justiça” e afirmando que responderá “com serenidade, transparência e total confiança de que a verdade prevalecerá”.

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