Operações de ‘insider trading’ com Rússia e OPEP estão a ser investigadas pelos EUA

Estas operações precedem o colapso dos preços do petróleo que, esta semana, levou o West Texas Intermediate (WTI), a negociar negativos pela primeira vez na história.

Sónia Bexiga

Os reguladores dos EUA estão a investigar os movimentos de alguns operadores para apurar se as suas operações beneficiaram do acesso a informações privilegiadas (‘insider trading’) sobre as negociações da Rússia com membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), que culminaram numa tensão histórica entre Moscovo e Riad.

A investigação levada a cabo pela ‘Commodity Futures Trading Commission’ (CFTC) concentra-se em saber se alguns aspetos da estratégia do governo russo em negociar com outros membros da OPEP+ foram partilhados, atempadamente, com alguns ‘players’ do mercado.

Segundo a Bloomberg, a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA) também está a investigar algumas negociações suspeitas sobre contratos futuros.

Estas operações precedem o colapso dos preços do petróleo que, esta semana, levou o West Texas Intermediate (WTI), a negociar negativos pela primeira vez na história.

Neste momento, os nomes dos comerciantes envolvidos, que não são americanos, não foram identificados, mas segundo fontes próximas, não são funcionários do governo russo. No entanto, as entidades que realizaram as operações empregam indivíduos com vínculos ao Kremlin.

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A CFTC está a examinar principalmente transações envolvendo os contratos do CME Group e WTI que expiraram antes do colapso dos preços do petróleo na passada segunda-feira.

O mercado de petróleo caiu desde março, com a pandemia de coronavírus diminuindo a procura, enquanto a Rússia e a Arábia Saudita mergulharam numa guerra de preços, ainda que mais tarde tivessem conseguido equilibrar posições.

Ainda assim, subsistem suspeitas de que vários operadores obtiveram informações privilegiadas sobre a posição de Moscovo durante o confronto. A preocupação com a possibilidade de futuros negociadores puderem beneficiar de informações ou dicas de funcionários, levou os legisladores a incluir uma cláusula na Lei Dodd-Frank de 2010 que torna ilegal a operação com base em informações “obtidas ilegalmente”.

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A CFTC intensificou os esforços para priorizar a luta contra o uso de ‘insider trading’. Em 2018, a agência formou um grupo de trabalho especializado na investigação de operações baseadas em informações privilegiadas.

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